O novo chefe de gabinete de Zelenskyy disse, na quarta-feira, que "já existem resultados concretos", mas acrescentou que "nem todas as informações podem ser tornadas públicas".
As equipas de negociação de Kiev e Washington deverão abordar as "questões mais difíceis" das conversações de paz sobre a Ucrânia na quarta-feira, incluindo as relacionadas com o território, na sequência de um avanço nas negociações lideradas pela Europa, adiantou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy.
Zelenskyy afirmou que as equipas dedicarão o segundo dia das conversações em Paris ao destino da central nuclear de Zaporíjia, ocupada pela Rússia, e ao controlo do território no leste da Ucrânia.
"Haverá outra sessão de negociações com os enviados do presidente dos Estados Unidos, e esta será já a terceira sessão deste tipo em dois dias", afirmou, numa publicação no Facebook.
"Serão discutidas as questões mais difíceis do enquadramento básico para pôr fim à guerra, nomeadamente as questões relacionadas com a central nuclear de Zaporíjia e os territórios."
Zelenskyy sublinhou também que era importante que os aliados ocidentais de Kiev pressionassem Moscovo.
"A paz deve ser digna. E isso depende dos parceiros, se eles irão garantir a verdadeira disponibilidade da Rússia para pôr fim à guerra", afirmou.
Kyrylo Budanov, o novo chefe de gabinete de Zelenskyy e antigo espião de topo, afirmou, na quarta-feira, que "já existem resultados concretos", mas acrescentou que "nem toda a informação pode ser tornada pública".
Garantias de segurança
Na terça-feira, os líderes de quase 30 países ocidentais e os enviados dos EUA, da UE e da NATO anunciaram que tinham acordado garantias de segurança fundamentais para Kiev, enquanto procuravam apresentar uma frente unida a favor da Ucrânia, apesar das tensões em torno da operação militar dos EUA na Venezuela e dos planos do presidente Donald Trump para a Gronelândia.
O enviado dos EUA, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, representaram Washington nas conversações, num esforço para pôr fim a quase quatro anos de guerra na Ucrânia, desencadeada pela invasão total da Rússia em 2022.
Mas os combates não abrandaram naquele que é o conflito mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial e a atual posição negocial de Moscovo está longe de ser clara.
França e Reino Unido confirmaram a sua intenção de enviar soldados para o território ucraniano após um eventual cessar-fogo, como parte de um pacote mais vasto de garantias de segurança para evitar a repetição de uma invasão russa, em larga escala, no futuro.
O compromisso foi assinado numa declaração formal pelo presidente francês, Emmanuel Macron, pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, no final de uma reunião da "Coligação da Boa Vontade", em Paris, na terça-feira.
"Posso dizer que, após um cessar-fogo, o Reino Unido e França vão estabelecer centros militares em toda a Ucrânia e construir instalações protegidas para armas e equipamento militar para apoiar as necessidades defensivas da Ucrânia", disse Starmer, no final da reunião.
Macron afirmou que a força multinacional será destacada "para longe da linha de contacto", no ar, no mar e em terra, para proporcionar a "garantia" necessária para que a Rússia não ataque novamente a Ucrânia. A Turquia participará na operação para prestar apoio marítimo.
Mas o líder russo, Vladimir Putin, tem afirmado repetidamente que não quer ver tropas da NATO em solo ucraniano.
"Quanto às garantias de segurança dos nossos parceiros europeus e dos Estados Unidos da América, estamos a discutir o continente, a proteção em terra, no ar, no mar, bem como uma via separada, a defesa aérea, o reforço do nosso exército e financiamento adicional para o pessoal", disse Zelenskyy aos jornalistas, na quarta-feira.
Questionado pelos jornalistas sobre quais os países que enviariam tropas para a Ucrânia no pós-guerra e como responderiam a um potencial novo ataque da Rússia, Zelenskyy indicou: "Não estou pronto para partilhar detalhes em resposta às vossas perguntas".
"Mas tudo isto já está em vigor, já foi trabalhado e existe um entendimento claro sobre o assunto. Mas quero que tudo seja aprovado legalmente pelos parlamentos dos países europeus, e de outros países do mundo, que fazem parte da Coligação da Boa Vontade. Assim que for aprovado, estaremos prontos para dar respostas abertas", afirmou.