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Referendo na Irlanda: a caminho das urnas pelo aborto

Referendo na Irlanda: a caminho das urnas pelo aborto
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Todos os anos, milhares the mulheres irlandesas fazem um aborto. Em média, dez mulheres por dia têm que viajar ao Reino Unido para fazê-lo, regressando na maioria dos casos no próprio dia, por razões de custo e também de segredo. Pelo menos duas correm o risco de uma pena de prisão de 14 anos para fazer um aborto seguro mas ilegal, com comprimidos adquiridos na internet.

Mas tudo isto está prestes a mudar. O primeiro ministro irlandês Leo Varadkar acredita que a saúde das mulheres irlandesas está a ser posta em perigo. "Como chefe de governo e médico, e também como ex-ministro da saúde, penso a situação das mulheres que arriscam as suas próprias vidas com uso de medicamentos não regulamentados é insustentável," disse.

A Irlanda tem vivido uma mudança social enorme desde que a proibição do aborto foi introduzida há 30 anos. Mas a opinião está dividida e, apesar da influência da igreja Católica poder ter díminuído, um profundo sentimento de vergonha associado á questão do aborto persiste.

Vicky Wall foi aconselhada a fazer um aborto quando se descobriu que o seu bebé tinha uma deficiência fetal fatal mas recusou e esperou que passasse naturalmente. Está agora a fazer campanha a favor da permanência da proibição.

"Tento falar com as pessoas para dizer-lhes que as mulheres mereçem melhor. O aborto é um ato violento sobre a mulher. Faz mal ás mulheres e mata bebés."

Mas o bebé de Claire também tinha uma deficiência e ao pedir a indução disseram-lhe que tal seria equivalente a um aborto. Teve que continuar a gravidez por mais seis semanas.

"Não importava que eu não me sentia a mesma, não podia funcionar, que a minha saúde mental estáva absolutamente destruída, só importava é que eu estava viva e o bebé também. Não, para mim não basta estar viva, nem para mim nem para outras mulheres, e certamente nunca bastará nem para as minhas filhas. Por isso temos que insistir na mudança, porque estar vivo não basta," explicou.

A questão do aborto está a dividir o país e as sondagens estão divididas. Os indecisos são muitos e há cartazes espalhados literalmente pela cidade inteira. A tensão é grande e os resultados serão conhecidos na noite de sábado ou cedo na manhã de domingo, havendo possibilidade de recontagens.

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