Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.
Última hora

O café para a reflorestação no Monte Gorongosa

O café para a reflorestação no Monte Gorongosa
Euronews logo
Tamanho do texto Aa Aa

As Florestas da Gorongosa ficam situadas no sul do Grande Vale do Rift Africano, no centro de Moçambique. O Parque Nacional da Gorongosa é uma importante área de conservação de espécies raras, como o camaleão-pigmeu.

O Monte Gorongosa encontra-se ameaçado pela desflorestação, por causa da pressão de grandes empresas internacionais, como as companhias chinesas, parte de um mercado em expansão.

De acordo com os peritos, cerca de 40% da floresta terá desaparecido nas últimas cinco décadas, numa tendência que começou mesmo antes da independência.

O projeto do café, financiado pela Fundação Carr, em conjunto com o Governo da Noruega e o Global Environment Facility, que agrupa 183 países e instituições internacionais, quer contrariar a tendência e ajudar as populações da província de Sofala.

O orçamento anual é superior a 900 mil euros e espera-se que chege aos dois mil milhões de euros anuais.

Os peritos no terreno encontraram no café o que dizem ser uma alternativa viável para um plano de reflorestação a longo prazo. As árvores que existem na zona fornecem a sombra necessária para o café plantado crescer.

Os agricultores de Sofala plantam café à sombra das árvores, o que permite, por outro lado, melhorar as condições do terreno, que se torna mais fértil e apto para a reflorestação.

O projeto prevê também a plantação de frutas, como bananas e ananás, cujas folhagens servirão como fertilizante para as plantações de café.

Ao contrário de outros países africanos, como a Etiópia ou o Uganda, Moçambique não é produtor de café.

Por agora, as metas de produção da região do Monte Gorongosa são modestas.

Estão plantados cerca de 40 hectares de café arabica e os agricultores pensam plantar mais 100 hectares este ano. Nos próximos 10 anos, espera-se que a região conte com cerca de 1000 hectares, numa zona habituada às tarefas agrícolas.

As colheitas de melhor qualidade são conseguidas a partir quarta estação. Entre os mercados em vista encontra-se Portugal, onde o nome Gorongosa se relaciona com um passado colonial quase místico.

Mas os gestores do projeto e os habitantes devem fazer face a outros problemas. Nos últimos anos, a região tem sido palco de tensões entre os militares do Governo e a oposição. Uma tensão que se vai fazendo sentir. Um exemplo são os bloqueios de estrada da parte de grupos da oposição bloquearam, para impedir que os militares fizessem chegar armas à região.

Um projeto de conservação complexo

O Monte Gorongosa é muito importante para as populações locais, assim como os rios que passam pelo Parque Nacional.

O Parque Nacional da Gorongosa é parte de um dos mais complexos projetos de conservação da África Austral, que tenta proteger a vida selvagem e as populações locais, ao mesmo tempo que goza do apoio do Executivo, numa região dominada por guerrilhas da oposição.

O parque lida também com o problema das mudanças climáticas e as com as secas. Depois da independência, em 1975, Moçambique viveu uma sangrenta guerra colonial que deixou cerca de um milhão de mortos, até 1992.