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Aniversário do atentado de Barcelona: Ripoll tenta recuperar do choque

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Aniversário do atentado de Barcelona: Ripoll tenta recuperar do choque

Aniversário do atentado de Barcelona: Ripoll tenta recuperar do choque
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Um ano após o ataque das Ramblas, em Barcelona, a cidade natal dos terroristas, Ripoll, ainda está entre o choque e a tentativa de esquecimento. Eles eram bons e educados, dizem as pessoas na cidade. Como é que puderam fazer uma tal atrocidade? Perguntam. Nuria era auxiliar na escola que frequentaram e nem queria acreditar:

“No princípio nem se acredita . Pensamos que sofreram uma lavagem ao cérebro. Mas quando se vê as imagens, a forma como vão fazer compras ao supermercado e saiem a matar pessoas, com tanta frieza, fica-se a pensar, como é que isto poder ser? Vivi isto com muita dor, como toda a gente aqui".

As famílias dos terroristas ainda vivem num quarteirão nos arredores de Ripoll. A cidade não lhes virou as costas, mas a vida não tem sido fácil para elas. As instituições locais fizeram muitos esforços para promover a coexistência e o contacto entre ambas as comunidade

A conselheira da Perfeitura de Ripoll, Montsina Llimos, diz: “Tem havido um enorme desejo de fazer algo para ajudar a garantir que isto não vai voltar a acontecer. Temos trabalhado num modelo de convivência que visa mudar a maneira como olhamos uns para os outros e como entendemos a diferença, para encará-la como uma oportunidade""

O novo imã, Mohamed El Onscre, abre-nos a porta da mesquita onde há um ano o líder da célula terrorista, Abdelbaki Es Satty, instigava os fiéis. "Hoje só há aqui oração e paz", diz. "Está tudo bem. As pessoas já esqueceram o que aconteceu. Podia ter acontecido em qualquer lugar. Eu não tinha nada a ver com essas coisas, eu vim trabalhar com a minha família e meu trabalho é limpo. Eu não faço nada errado, eu estou bem com todo mundo - nós, vocês ...".

Ainda que as pessoas precisassem rapidamente de recuperar uma vida normal, o quotidiano não era comum em Ripoll. Era necessário seguir em frente, mas também seria necessário um debate coletivo, que não aconteceu, sobre o que realmente levou adolescentes, aparentemente bem integrados, a planearem um ataque.

Para Moussa Bourekba, especialista do Centro de Relações Internacionais de Barcelona, isso é grave: “Não houve nenhum debate nas semanas que se seguiram ao ataque. Do nosso ponto de vista isso é extremamente preocupante, porque não há nada hoje para nos garanta que isso não se reproduzirá, porque pode reproduzir-se, é uma ameaça que afeta a Catalunha, a Espanha e o resto da Europa ”.

Uma ameaça que ninguém pode antecipar, nem noutro sítio, nem aqui em Ripoll. A vida retoma, pois, o seu curso, com esperança de que não se repita.