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Um ano de refugiados Rohingya a fugir de Myanmar

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Um ano de refugiados Rohingya a fugir de Myanmar

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Faz hoje exatamente um ano desde que mais de 700 mil Rohingyas fugiram de Myanmar (antiga Birmânia) para o Bangladesh, na tentativa de escapar a uma brutal repressão do exército.

Nas semanas e meses seguintes, o número cresceu em centenas de milhares. Um ano depois, o campo de refugiados de Kutupalong é o maior do mundo. E muitos dos seus moradores ainda não sabem o que o futuro lhes reserva.

"Já se passou um ano desde que chegamos aqui e quatro meses desde que o meu filho nasceu. Ele tem agora oito meses. Estou ansiosa com o futuro do meu filho, onde é que ele vai poder estudar? Se formos enviados de volta para Myanmar, o que é que vai acontecer lá? Temos medo. Não há qualquer educação aqui, nem qualquer esperança disso no futuro. Como será então a situação em Myanmar? Não sabemos. Estou preocupada. Não vejo nenhum futuro aqui, nem nenhum futuro lá", conta Rashida Begum, uma refugiada Rohingya que foi mãe já no campo de acolhimento.

Os muçulmanos Rohingya são vistos com desconfiança pela maioria budista de Myanmar e é-lhes negada a cidadania.

As Nações Unidas já alertaram para uma "geração perdida" de crianças Rohingya nos dois lados da fronteira. Sem educação no Bangladesh, estima-se que meio milhão de crianças Rohingya estejam em risco se voltarem a casa.

Para Knut Ostby, coordenador residente das Nações Unidas em Myanmar, é imperioso estabelecer condições de segurança e estabilidade para o futuro desta minoria étnica.

"O mais importante é que as pessoas precisam de ter segurança e proteção quando voltarem. Elas precisam de ter liberdade de movimento. É também necessário um caminho claro e previsível para a cidadania, para aqueles que são elegíveis. Basicamente , eles precisam de ser capazes de existir em sociedade como pessoas normais quando voltarem", refere.

O governo de Myanmar diz que está pronto para aceitar o regresso de refugiados e assinou um acordo de repatriação com agências da ONU. Contudo, os refugiados temem pela sua segurança e a ONU diz que está a ser negado o acesso total ao estado de Rakhine - de onde a maioria dos deslocados veio.