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Criminalização do transporte de migrantes penaliza nigerinos

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Criminalização do transporte de migrantes penaliza nigerinos

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A feira de gado de Agadez, no centro do Níger, foi em tempos florescente. Mas os negócios abrandaram desde que o governo criminalizou as atividades ligadas à migração, durante muito tempo um pulmão da economia local. Com menos recursos, a clientela é mais rara e os preços caíram. "Não há dinheiro. Este dromedário valia 500 mil francos e agora vale 300 mil", queixa-se Mohamed, comerciante.

Agadez foi, durante muito tempo, o ponto de partida de centenas de milhares de migrantes da África Ocidental em direção à Líbia. Mas milhares de pessoas que trabalhavam nesta economia da migração perderam o emprego. Desde que o transporte de migrantes foi criminalizado, estima-se que o fluxo tenha baixado em 80%.

Bachir Amma dirige uma associação de antigos passadores. Leva-nos até um dos beneficiários do programa de reconversão europeu destinado a oferecer-lhes uma alternativa.

Abdouramane recebeu um conjunto de cadeiras e equipamento de som que aluga para festas. O que ganha, diz, dá para alimentar a família e nada mais. Mas é dos que mais sorte tiveram. Só quatro por cento dos 7000 candidatos puderam, até agora, beneficiar desta ajuda à reconversão.

"Há famílias que não têm nada. Comemos graças àquilo que economizámos, ao que ganhámos antes. É com esse dinheiro que comemos, é duro para nós", explica Bachir Amma.

Os meninos das ruas são cada vez mais em Agadez. A região é uma das mais pobres de um país que a ONU considera um dos menos desenvolvidos no mundo.

"A União Europeia prometeu dedicar mil milhões de euros ao desenvolvimento do Níger até 2020. Entretanto, a população de Agadez tem dificuldades em chegar ao fim do mês. Aqui, todos partilham a mesma certeza: Quem mais beneficiou, até agora, com o dinheiro gasto em África para travar a migração, foi a União Europeia", conclui a enviada especial da euronews ao Níger, Valérie Gauriat.