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Agência Mundial Antidoping reintegra filial russa três anos depois

Craig Reedie, presidente da AMA, com Yuri Ganus, diretor da RUSADA
Craig Reedie, presidente da AMA, com Yuri Ganus, diretor da RUSADA -
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REUTERS/Denis Balibouse/Arquivo
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A Agência Mundial Antidoping (AMA) votou por maioria do respetivo comité executivo a reintegração da filial russa (RUSADA), que estava suspensa desde 2015, na sequência de um escândalo envolvendo graves violações do código antidoping implicando inclusive o Kremlin.

"Nove membros do comité executivo cotaram a favor da recomendação da Comissão independente de Revisão de Conformidade (CRC); dois (o vice-presidente da AMA e a Oceania) votaram contra; e um (Europa) absteve-se", revelou o organismo internacional em comunicado após uma decisiva reunião realizada nas Seicheles.

A vice-presidente da AMA, a norueguesa Linda Helleland, que votou contra a reintegração, considera que a decisão "ensombra a credibilidade do movimento antidopagem."

"É um erro a integração da RUSADA antes deles cumprirem todas as condições do roteiro de conformidade da AMA", acrescentou a também ministra norueguesa da Infância e da Igualdade, e também candidata à presidente da AMA em 2019, concluindo já em jeito de campanha: "Hoje falhámos em relação aos desportistas honestos."

As duas condições obrigatórias referidas, incluídas no roteiro de conformidade imposta pela AMA à RUSADA no ano passado, são:

  1. que as autoridades responsáveis pelo antidoping na Rússia aceitem publicamente os resultados da investigação McLaren;
  2. que o Governo russo dê acesso a entidades apropriadas às amostras armazenadas e aos dados eletrónicos no antigo laboratório de Moscovo, os quais estão selados devido a uma investigação federal.

"A grande maioria do comité executivo da AMA decidiu reintegrar a RUSADA como estando em conformidade com o Código (mundial antidoping), mas sujeita a rigorosas condições", lê-se no comunicado do organismo internacional.

A recomendação partiu da Comissão independente de Revisão de Conformidade (CRC) do código antidoping e em acordo com o processo em curso.

"Esta decisão concede um claro período no qual a AMA tem de ter acesso aos dados e às amostras do antigo laboratório de Moscovo, com um compromisso expresso do comité executivo de que, se este período não for respeitado, irá apoiar a recomendação do CRC de restabelecer a não-conformidade (da RUSADA)", acrescenta o organismo.

A recomendação do CRC relativa à RUSADA havia sido revelada pela AMA na última sexta-feira (14 de setembro), acrescentando no dia seguinte que a eventual reintegração da agência russa antidoping seria discutida na reunião seguinte, marcada para esta quinta-feira.

Nesse último anúncio, a AMA desmentiu haver novidades ou novas preocupações relacionadas com a última fuga de documentos de uma troca de informações entre a AMA e o Ministro Russo do Desporto.

"A forma como a AMA se dirigiu ao Ministério foi recomendada pela agência independente CRC na reunião de 14 de junho de 2018 e o conteúdo está inteiramente em linha com roteiro de conformidade da RUSADA estabelecido inicialmente em janeiro de 2017", escreveu o organismo no sábado.

A RUSADA foi suspensa em 2015 após a AMA a ter acusado de várias violações do código mundial antidoping, implicando o próprio governo de Vladimir Putin, e declarou que a agência russa não estava em conformidade com o mesmo.

No ano passado, a AMA divulgou os 12 critérios de um roteiro de readqueação que a RUSADA deveria dar provas de cumprir antes que o CRC pudesse recomendar a reintegração do laboratório russo na agência mundial.

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