Migrantes bloqueados na fronteira franco-espanhola

Migrantes bloqueados na fronteira franco-espanhola
De  Bruno Sousa
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ONG's espanholas acusam autoridades francesas de não respeitarem os acordos fronteiriços em vigor entre os dois países

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Percorreram um largo caminho desde África até Irún, onde são recebidos em Lacaxita, um albergue gerido por voluntários. Nos últimos três meses passaram por aqui mais de 800 migrantes mas a viagem não chega ao fim nesta localidade do Norte de Espanha. O país natal há muito ficou para trás para poderem perseguir melhores condições de vida.

A viagem é longa e os perigos mais que muitos. Os que conseguem chegar aqui, deparam-se com outro problema: atravessar a fronteira para França. As ONG's que trabalham no local acusam as autoridades francesas de rejeitarem a entrada de migrantes sem informar as autoridades espanholas, como impõem as leis europeias.

Para Ion Aranguren, da SOS Racismo, "existe de facto um encerramento de fronteiras há pelo menos dois anos, aproveitando o estado de urgência que entrou em vigor após os atentados de Paris. O objetivo era combater os atentados jihadistas, na prática foi criada uma fronteira para que os migrantes não possam passar."

O bloqueio acaba por criar uma situação para a qual as autoridades locais não estão preparadas e já foi mesmo necessário solicitar reforços a Madrid. Para Lorena Escobio, do Sindicato Unificado da Polícia, a polícia francesa está presente a todas as horas, todos os dias da semana, mesmo nos feriados e fins de semana e como tal em Irún não têm mãos a medir, tendo já procedido a mais de 1000 detenções

Nos dois dias em que a euronews esteve no local, existiu oficialmente apenas uma rejeição. Na prática, assistimos a dezenas de migrantes obrigados a voltar para trás. Nas mãos, um papel onde era negada a entrada em França.

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