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Assassinato da jornalista Viktoria Marinova - Tudo o que se sabe até agora

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O caso da morte de Viktoria Marinova está a chocar a Bulgária e o resto do mundo.

Viktoria Marinova foi encontrada morta, este sábado, num parque, junto ao rio Danúbio, em Ruse, uma cidade no norte do país. Quando foi encontrada, apresentava sinais de violação sexual, violência física e estrangulamento. Suspeita-se de que tenha sido assassinada uma semana depois de denunciar casos de corrupção que envolvem dirigentes russos.

Entretanto, as autoridades búlgaras detiveram, esta segunda-feira, um suspeito de ser o responsável pelo crime.

A notícia foi avançada pela Reuters, a qual cita uma fonte do governo de Sofia.

"Podemos dizer que temos um suspeito detido", garante a fonte. O porta-voz do ministério do Interior não confirma a informação mas adianta que, ainda hoje, o governo poderá emitir um comunicado sobre o assunto.

QUEM ERA VIKTORIA MARINOVA?

Marinova tinha 30 anos e era jornalista no canal de televisão local TVN, com sede na cidade de Ruse. Era apresentadora e jornalista de um programa de entrevistas chamado "Detetor", o qual expõe casos de corrupção.

O primeiro episódio do programa denunciou eventuais desvios de fundos europeus que envolviam políticos, magnatas russos e o presidente da Lukoil na Bulgária, uma empresa petrolífera russa, com sede em Moscovo.

O episódio fez com que Attila Biro e Dimitar Stoyanov, políticos búlgaros, alegadamente envolvidos em casos de corrupção, fossem detidos em setembro.

Reuters
Viktoria MarinovaReuters

Em entrevista à Euronews, Atanas Tchobanov, editor chefe de um site de investigação, bivol.org, explicou de que se tratava a história que divulgava o desvio de fundos europeus, assinada por Viktoria Marinova.

"Trata-se de uma história sobre o roubo de fundos europeus, sobre o facto de projetos europeus terem sido manipulados por um grupo de empresas de consultadoria relacionadas com uma grande empresa de construção, que por sua vez está ligada ao presidente da Lukoil na Bulgária e a oligarcas russos", admitiu.

"Ela não era propriamente uma jornalista de investigação, mas noticiou este caso que estava a ser ignorado pelas televisões nacionais, as quais são muito cuidadosas quando tratam de investigações de alto nível", explicou Tchobanov.

Viktoria Marinova é a terceira jornalista a ser assassinada na União Europeia desde o ano passado.

VELA A VELA, FLÔR A FLÔR

Milhares de búlgaros juntaram-se, em várias cidades do país, para homenagear Viktoria Marinova. Uma das praças principais de Sofia, a capital do país, foi inundada de mensagens, velas, flores e fotografias da jornalista.

Os búlgaros não aceitam o crime macabro e querem respostas para o que terá acontecido.

Ivo Indjev, um jornalista búlgaro presente na homenagem, contou à Euronews que costumava "brincar" e dizer que "a Bulgária não era a Rússia", e que "Na Bulgária, os jornalistas até podem ser forçados a ficar calados e são despedidos frequentemente, mas não são assassinados", e que "o pior aconteceu, aqui, também.".

Reuters
Homenagem em Sofia, BulgáriaReuters

O MUNDO QUER SABER

São muitas as perguntas que estão ainda sem respostas e os apelos para saber o que se passou chegam de todo o lado. A polícia que está a investigar o caso admitiu que a investigação, por enquanto, não confirma nenhuma relação entre a morte de Marinova e o trabalho que fazia como jornalista.

Apesar da investigação não concluir nada em concreto, a Comissão Europeia partilhou, nas redes sociais, uma mensagem onde se lê "A liberdade e o pluralismo dos meios de comunicação devem ser respeitados".

Na legenda da fotografia partilhada, a mensagem alonga-se: "Não há democracia sem liberdade de imprensa. É com grande tristeza que soubemos do assassinato da jornalista Viktoria Marinova. (...) Esperamos que a investigação faça justiça."

Os Repórteres sem Fronteiras também lamentaram a morte da jornalista e pediram às autoridades para protegerem os colegas de profissão do canal onde Viktoria trabalhava. Apelaram também a que se faça uma investigação "séria e profunda" do caso.

A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa mostrou-se "em choque" com o assassinato da jornalista.