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Jornalista Don Lemon libertado após ter sido detido num protesto anti-ICE no Minnesota

O jornalista Don Lemon fala com a imprensa após uma audiência no Edifício Federal Edward R. Roybal, em Los Angeles, na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026.
O jornalista Don Lemon fala com a imprensa após uma audiência no Edifício Federal Edward R. Roybal, em Los Angeles, na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026. -  Direitos de autor  Damian Dovarganes/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.
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O jornalista Don Lemon foi libertado na sexta-feira após ter sido detido e acusado de violação dos direitos civis federais devido à sua cobertura de um protesto contra a aplicação da lei anti-imigração que interrompeu uma cerimónia numa igreja do Minnesota.

O jornalista norte-americano Don Lemon foi preso durante a noite em Los Angeles devido à alegada ligação a um protesto anti-imigração que perturbou um serviço religioso numa igreja do Minnesota. Outro jornalista independente e dois participantes do protesto foram igualmente presos em Minnesota.

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À saída do tribunal da Califórnia, Lemon mostrou-se confiante e desafiador, declarando aos jornalistas: "Não serei silenciado."

“Passei toda a minha carreira a cobrir notícias. Não vou parar agora”, disse Lemon. “Na verdade, nunca houve um momento mais importante para uma imprensa livre e independente que revele a verdade e responsabilize aqueles que estão no poder.”

As detenções suscitaram críticas severas por parte de defensores da imprensa e de ativistas dos direitos civis, incluindo o reverendo Al Sharpton, que afirmou que a administração do presidente Donald Trump está a dar uma "marretada" à "Primeira Emenda".

Um grande júri em Minnesota indiciou Lemon e outros por conspiração e interferência nos direitos da Primeira Emenda dos fiéis durante o protesto de 18 de janeiro na Cities Church, em St. Paul, onde um agente da Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) é pastor.

No tribunal de Los Angeles, o procurador-adjunto dos Estados Unidos, Alexander Robbins, solicitou uma fiança de 100 mil dólares, alegando ao juiz que Lemon "conscientemente se juntou a uma multidão que invadiu uma igreja". No entanto, o jornalista foi libertado sem precisar pagar a fiança e recebeu permissão para viajar para a França em junho, enquanto o caso ainda está pendente.

A advogada de defesa, Marilyn Bednarski, disse que Lemon planeia declarar-se inocente e contestar as acusações em Minnesota.

Lemon, que foi demitido da CNN em 2023 após uma passagem conturbada como apresentador matinal, afirmou não ter qualquer ligação com a organização que entrou na igreja e que estava lá como jornalista independente a cobrir a manifestação.

"Don é jornalista há 30 anos e o seu trabalho em Minneapolis, protegido pela Constituição, não foi diferente do que ele sempre fez", afirmou a advogada, na sexta-feira.

A procuradora-geral Pam Bondi divulgou as prisões nas redes sociais.

"Não se enganem. Sob a liderança do presidente Trump e desta administração, vocês têm o direito de praticar a sua religião livremente e em segurança", afirmou Bondi num vídeo publicado online. "E, caso ainda não tenha sido suficientemente clara, se violarem esse direito sagrado, iremos atrás de vocês", escreveu.

Acusação descreve a transmissão ao vivo de Lemon

Desde que deixou a CNN, Lemon juntou-se à legião de jornalistas que se lançaram no mundo dos negócios. Ele publica regularmente no YouTube e não esconde o seu desdém por Trump.

No entanto, durante a sua transmissão online a partir da igreja, Lemon enfatizou: "Não estou aqui como ativista. Estou aqui como jornalista" e descreveu a cena diante dele, entrevistando fiéis e manifestantes.

A acusação cita nove réus, incluindo Lemon, e afirma que dois deles publicaram a ação planeada nas redes sociais no dia anterior e deram instruções aos outros no estacionamento de um shopping center na manhã seguinte.

Lemon começou a transmitir ao vivo e disse ao público que estava com um grupo a preparar-se para uma operação de "resistência" contra as políticas federais de imigração, segundo o documento. O jornalista "tomou medidas para manter o sigilo operacional, lembrando aos coconspiradores de não divulgarem o alvo da sua operação", argumenta a acusação, e afastou-se para que o seu microfone não divulgasse acidentalmente o plano.

Durante a reunião informativa antes da operação, segundo os promotores, Lemon agradeceu a uma ativista que está entre os nove indiciados pelo que ela estava a fazer e garantiu-lhe que não estava a revelar o que estava a acontecer.

Dentro da igreja, os réus gritaram slogans e assobiaram com apitos quando o pastor (agente do ICE) se preparava para começar o sermão. Muitos gesticularam de maneira hostil e agressiva, segundo os promotores, e o pastor e os fiéis sentiram "ameaças de violência".

Lemon disse, na transmissão ao vivo, que viu um jovem assustado, triste e a chorar, o que era compreensível, pois a experiência tinha sido traumática e desconfortável, segundo a acusação. Os réus cercaram o pastor e Lemon "bombardeou-o com perguntas para promover a mensagem da operação".

"Continua a tentar"

A jornalista independente Georgia Fort transmitiu ao vivo os momentos que antecederam a detenção de Don Lemon, informando aos espectadores que os agentes estavam à sua porta e que o seu direito à liberdade de expressão, como jornalista, estava a ser violado.

Um juiz libertou outros três dos indiciados, Fort, Trahern Crews e Jamael Lundy, sob fiança, rejeitando a tentativa do Departamento de Justiça de mantê-los sob custódia. Foram apresentadas alegações de inocência. Os apoiantes de Fort no tribunal aplaudiram e comemoraram.

"É uma reviravolta sinistra nos acontecimentos neste país", afirmou o advogado de Fort, Kevin Riach, em tribunal.

Desencora o escrutínio

Jane Kirtley, especialista em direito e ética nos media da Universidade de Minnesota, disse que as leis federais citadas pelo governo não se destinavam a ser aplicadas a repórteres que recolhem notícias.

As acusações contra Lemon e Fort são "pura intimidação e abuso de poder por parte do governo", disse a especialista.

Alguns especialistas e ativistas afirmaram que as acusações não são apenas um ataque à liberdade de imprensa, mas também um golpe contra os afro-americanos que contam com jornalistas negros para testemunhar a injustiça e a opressão.

A Associação Nacional de Jornalistas Negros disse estar "indignada e profundamente alarmada" e apelou a uma tentativa de "criminalizar e ameaçar a liberdade de imprensa sob o pretexto de aplicar a lei".

Líderes religiosos elogiam prisões durante protesto

Um proeminente advogado de direitos civis e outras duas pessoas envolvidas no protesto foram detidos na semana passada. "Os promotores acusaram-nos de violação dos direitos civis por perturbarmos o culto da Igreja Cities", disse.

O Departamento de Justiça iniciou uma investigação após o grupo interromper os serviços, gritando "ICE Fora" e "Justiça para Renee Good", em referência à mulher de 37 anos, mãe de três filhos, que foi morta a tiros por um agente do ICE em Minneapolis.

A Igreja Cities pertence à Convenção Batista do Sul e tem, entre seus pastores, David Easterwood, que lidera o departamento regional do ICE em St. Paul.

"Estamos gratos ao Departamento de Justiça por ter agido rapidamente para proteger a Cities Church, para que possamos continuar a viver fielmente a missão da igreja de adorar Jesus e torná-lo conhecido", disse o pastor principal Jonathan Parnell.

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