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Morte de Jamal Khashoggi: Investigação saudita "não é confiável"

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Morte de Jamal Khashoggi: Investigação saudita "não é confiável"

Protestos mantém-se diante da Casa Branca contra Arábia Saudita
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REUTERS/Leah Millis
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A Amnistia Internacional é mais uma das vozes a levantar-se para pedir uma investigação independente à agora confirmada morte do jornalista Jamal Khashoggi no interior do consulado saudita em Istambul na Turquia.

"Uma investigação independente será a única garantia contra o que cada vez mais se parece como um branqueamento saudita das circunstâncias em torno do assassinato de Khashoggi ou de quaisquer tentativas de outro governo de varrer o sucedido para debaixo do tapete para preservar o lucrativo negócio de armas ou quaisquer outros negócios com Riade", afirmou a diretora da Amnistia Internacional no Médio Oriente.

Samah Hadid considerou ainda, num comunicado, que "as descobertas da investigação das autoridades sauditas alegando que Khashoggi morreu em resultado de um confronto físico no interior do consulado não são confiáveis e assinalam um novo e abismal recorde negativo dos direitos humanos na Arábia Saudita."

As críticas da organização vão de encontro aos protestos que se mantém à portada Casa Branca, em Washington, onde figuras representativas de Donald Trump e do príncipe herdeiro saudita Mohammad bin Salman ironizam com uma aliança inquebrável entre ambos em nome dos negócios e sem olhar a meios.

Após mais de duas semanas de mistério sobre o paradeiro do jornalista dissidente saudita, Riade parece disposta a abrir um pouco o jogo e revelou algumas das descobertas da investigação ainda em curso.

A resistência inicial em colaborar foi alvo de pressão internacional inclusive dos EUA. O governo saudita acabaria por ajudar a Turquia na investigação, abriu as portas do consulado e da residência oficial do Cônsul, que ao mesmo tempo fez estranhamente regressar a Riade sem que fosse ouvido pelos investigadores.

Em comunicado divulgado sexta-feira à noite, o Rei Salman reconheceu finalmente a morte de Jamal Khashoggi no respetivo consulado, em Istambul.

O comunicado do monarca faz referência a um alegado confronto físico que culminou na morte do jornalista.

O comunicado revela a detenção de 18 suspeitos, todos sauditas, e o governo fez saber posteriormente do afastamento de dois altos responsáveis.

Saud bin Abdullah al-Qahtani deixou de ser consultor da Corte Real e o major general Ahmad bin Hassan Asiri, que era próximo do príncipe herdeiro, deixou de ser diretor adjunto dos serviços secretos sauditas, que serõ reformados por uma comissão liderada exatamente pelo príncipe herdeiro.

Ahmad bin Hassan Asiri foi curiosamente entrevistado em março último pela Euronews e questionado na altura pela reforma dos direitos civis em curso na Arábia Saudita, nomeadamente sobre a liberdade de expressão de quem está em desacordo com a monarquia, o general dizia então que "para modernizar e reformar uma sociedade, é preciso avançar gradualmente."

"Uma mudança brusca irá provocar situações negativas, mas mostra a intenção de Sua Majestade, o Rei, e do respetivo Governo, de se promoverem mudanças progressivas com um objetivo em mente. Posso assegurar-lhe que não mudámos porque queremos agradar às pessoas. Mudámos porque queremos viver os nossos sonhos. Não queremos perder mais tempo a correr atrás dos sonhos. Queremos vive-los", dizia em março Ahmed al-Assiri.

Não está ainda claro o papel que o general possa ter tido na alegada morte do jornalista, mas há meios de comunicação a avançar a teoria de que poderá ter sido ele o responsável por juntar a equipa que terá cometido o assassinato de Khashoggi e quem sugira de que se trata apenas de um bode expiatório para afastar suspeitas do príncipe herdeiro.

O presidente dos Estados Unidos considera as explicações sauditas "credíveis" e assume esperar, sem receio, que eventuais sanções internacionais a Riade não venham a pôr em causa as milionárias vendas de armas americanas ao poderoso aliado saudita, o qual é também essencial no braço de ferro americano com o Irão.

A investigação à morte do jornalista prossegue na Turquia. Encontrar o corpo do jornalista, ou os restos mortais do cadáver que terá sido desmembrado, será agora a prioridade das autoridades turcas e para o qual as sauditas ainda não revelaram qualquer dado.