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Cristiano Ronaldo: "A verdade (sobre a violação) virá ao de cima"

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Cristiano Ronaldo: "A verdade (sobre a violação) virá ao de cima"

"A Confissão", título da entrevista exclusiva de Ronaldo na France Football
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Apresentado na Juventus a 16 de julho, um dia após a final do Mundial de futebol, no final de setembro Cristiano Ronaldo foi acusado de violação por Kathryn Mayorga.

"A minha família e os meus amigos sabem que o sou (inocente)"

Cristiano Ronaldo Futebolista da Juventus e de Portugal

Agora, cerca de um mês depois, o português fala pela primeira vez de forma aberta sobre o caso, o impacto na sua vida e na família, e no que espera da investigação a correr em Las Vegas.

Cristiano Ronaldo abordou também a saída do Real Madrid e a possibilidade de ganhar a sexta Bola de Ouro da carreira, prémio atribuído anualmente exatamente pela revista francesa à qual concedeu esta entrevista.

As respostas na primeira pessoa

O impacto da acusação de violação

"Não me vou esquivar à questão nem mentir. É claro que esta história interefere na minha vida. Tenho uma companheira, quatro filhos. uma mãe idosa, irmãs, um irmão, uma família de que sou muito próximo. Sem falar da minha reputação, que é a de uma pessoa exemplar. Para os meus colegas de equipa, a minha família, os fãs que me apoiam, esta história tem consequências. Estou bem comigo mesmo, sei o tipo de homem e de profissional sou. Imaginem que isto pode significar que qualquer um pode dizer que vocês são violadores ou que tenham feito isto ou aquilo. Sei quem sou e o que fiz. A verdade virá ao de cima um dia. E as pessoas que me criticam ou que expõem a minha vida hoje em dia, essas pessoas verão... (bate com a mão na mesa). Veremos nesse dia se essas pessoas vão colocar o meu nome nas primeiras páginas dos jornais para dizerem que sou inocente! A minha família e os meus amigos sabem que o sou. Mas mesmo assim isto é embaraçoso."

A reação da família à acusação

"Dei explicações `a minha companheira. O meu filho, o Cristiano Jr., é demasiado pequeno para perceber. O pior é a minha mãe as minhas irmãs. Elas ficaram estupefactas e ao mesmo tempo zangadas. É a primeira vez que as vejo neste estado. Cabe-me a mim tentar acalmá-las quando deveria ser o contrário. Sobretudo com a minha mãe. Ela está inconsolável. Falei longamente com ela. Disse-lhe: 'mamã, tu sabes a pessoa que tens em casa. Sabes como me criaste, a educação e o amor que me deste'. É por ele que me sinto pior. A opinião pública é outra coisa. Há tantas pessoas que me adoram como as que me detestam pelo que sou. Isso é-me indiferente. Mas quando tudo isto tiver terminado quero ver o que essas pessoas vão dizer. Vou acender a televisão para assistir."

A saída do Real Madrid

"Comecemos pelo princípio, se quiserem. Como já disse, estava há nove anos em Madrid. Ganhei tudo, tanto troféus coletivos como individuais. Tudo. Após algum tempo, pensei que talvez fosse bom sair. Senti dentro do clube, sobretudo da parte do presidente (Florentino Pérez), que já não era tão querido como no início. Nos primeiros quatro ou cinco anos, tinha a sensação de ser o Cristiano Ronaldo. Menos, depois.O presidente olhava-me com uns olhos que já não queriam dizer o mesmo, como se eu já não fosse indispensável, se é que entendem o que quero dizer. Foi isso que me fez refletir na possibilidade de partir. De vez em quando via notícias a dizer que eu tinha pedido para sair. Houve também um pouco disso, mas a verdade que é tive a impressão que o presidente não me iria segurar. Decidi prosseguir a minha vida fora dali e ouvir propostas de outros clubes. Pouco a pouco, a ideia foi-se concretizando.

"(...)Apenas eu sei a verdade. Dou poucas entrevistas. Paro poucas vezes para falar nas zonas mistas após os jogos da Liga dos Campeões. Há muitas inverdades escritas sobre mim. A verdade é que o presidente me queria, mas ao mesmo tempo fazia sentir-me que a minha saída não seria um problema.

"(...)No final, o presidente já não me via além de uma relação de negócios. Eu sei. No limite, poderia tentar entende-lo se ele fosse sincero comigo, me explicasse as coisas e assumisse que é assim que concebe o futebol."

A Bola de Ouro

"Já o disse muitas vezes, ganhar a sexta Bola de Ouro não é uma obsessão. Não ponha a coisa nesses termos. Sei, por mim mesmo, que sou um dos melhores jogadores da história. É claro que quero ganhar esta sexta Bola de Ouro! Seria falso se dissesse o contrário. Trabalho para isto. Como trabalho para marcar golos e ganhar jogos sem que isso seja uma obsessão. Mereço a Bola de Ouro este ano. E trabalho no duro para que isso aconteça todos os anos. Sei o que faço, sei as estatísticas que vou somando de forma regular ao longo do ano, os troféus que ganho. E vocês também sabem tão bem quanto eu. Mas também sei o que os outros fazem, o mérito que têm e tenho-lhes muito respeito. Se não ganhar a bola de Ouro, irei dormir na mesma à noite porque sei o que valho. Sim, quero ganhar a Bola de Ouro pela sexta vez e ultrapassar, se for o caso, Lionel Messi. Só que eu não controlo os votos, apenas as minhas prestações."

Outros candidatos

"Os mesmos de sempre mesmo sem saber se o Messi estará no pódio desta vez. Depois, diria Salah, Modric, Griezmann, Varane, Mbappé, os franceses em geral porque são campeões do mundo. Mas aguardo para ver se todos estes jogadores estarão ainda no topo daqui a 10 anos como eu e o Messi conseguimos, e como vamos continuar a estar. Sempre lá em cima, no pódio, depois de 10 anos..."

A entrevista completa pode ser lida na edição desta terça-feira da revista France Football.