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Fórum Crans Montana: como criar um novo mundo

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Fórum Crans Montana: como criar um novo mundo

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Os conflitos mundiais são cada vez mais complicados. Como garantir a segurança num cenário de complexidade crescente? Foi o tema do último fórum Crans Montana em Genebra, na Suíça.

Centenas de personalidades do mundo da política e dos negócios estiveram reunidos em Genebra para falar sobre o estado do mundo.

"O mundo vai mal! A linguagem diplomática desapareceu. Olhe para o que o que se passa em Bruxelas, nas reuniões dos chefes de estado europeus. Há insultos e acusações. É o início de uma nova era extremamente perigosa porque por trás desses comportamentos temos o populismo e a demagogia", declarou Jean-Paul Carteron, presidente honorário e fundador do Fórum Crans Montana.

O ex-presidente da Catalunha considera que o mundo é mais complexo porque os cidadãos estão cada vez mais presentes na arena política.

"É algo que está relacionado com o novo mundo novo para o qual nos dirigimos: a forma de gerir a democracia, a participação dos cidadãos a quem se pede um envolvimento, para criar sociedades organizadas de baixo para cima e não ao contrário", frisou Carles Puigdemont.

Para o presidente da Arménia, antigo professor de Física, o debate político mudou no século XXI, abrindo portas ao que chama de "política quântica".

"Estamos num mundo em que as instituições tradicionais, como os partidos políticos, as instituições e estruturas de poder estão a tornar-se menos relevantes que as novas estruturas que estão a surgir : as redes sociais, os média sociais, a interconectividade, a força das ideias individuais ou das mensagens poderosas. Isto é o novo mundo", disse Armen Sarkissian, presidente da Arménia.

O desafio das guerras híbridas

A antiga primeira-ministra da Ucrânia chama a atenção para o aumento dos conflitos internacionais opacos, na sequência do conflito russo-ucraniano, e denuncia a prevalência dos valores do patriarcado.

"Acredito que todos os desafios que a humanidade enfrenta hoje incluindo as guerras híbridas, a cibersegurança, os ciberataques, têm a mesma raiz, uma liderança irresponsável e agressiva", sublinhou Yulia Tymoshenko.

Também a República Democrática do Congo foi palco de uma guerra com repercussões em toda a região.

"O continente africano tem a forma de um revolver cujo gatilho se situa na República Democrática do Congo devido à nossa situação geoestratégica. Como estamos no centro do continente, se alguém criar problemas ao Congo, é a África inteira que explode!", afirmou Bruno Tshibangu Kalala ministro delegado do primeiro-ministro da República Democrática do Congo.

Em muitos países africanos, a situação já é explosiva. Depois de uma década de melhorias, a fome em África aumenta de novo.

"A razão principal é a guerra, a segunda são as alterações climáticas e a terceira é o abrandamento económico. O tempo está contra nós temos de tomar decisões arrojadas", concluiu Maria Helena Semedo, Diretora da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

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