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A proteção da cortiça e dos sobreiros face às alterações climáticas

A proteção da cortiça e dos sobreiros face às alterações climáticas
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European Forest Institute
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Neste vídeo 360º, mostramos os desafios da produção da cortiça. A euronews visitou um negócio familiar de produção de rolhas de cortiça, na Catalunha.

Tradição e tecnologia

O uso de rolhas de cortiça para vedar o vinho nas garrafas data de há vários séculos. Trata-se de um material natural com várias vantagens mas que está em risco devido às alterações climáticas e à má gestão florestal.

O repórter da euronews Ole Krogsgaard viajou até à Catalunha para perceber como são fabricadas as rolhas de cortiça, quais são as ameaças atuais e as eventuais soluções.

A cortiça é um material natural perfeito para a conservação do vinho porque deixa apenas entrar a quantidade certa de ar na garrafa. No início de 2000, as rolhas de cortiça sofreram a concorrência do plástico mas a tendência não durou e a procura de cortiça voltou a aumentar.

Para ver como se produz a cortiça, a euronews visitou uma floresta de sobreiros e falou com Jordi Miralpeix, que tem um negócio familiar de produção de cortiça, há 25 anos.

A boa gestão dos sobreiros

"O trabalho é feito a cada catorze anos. Um ano antes, limpamos a floresta. A remoção da cortiça é um trabalho manual, é um pouco complicado, sobretudo se quisermos fazer um bom trabalho", disse Jordi Miralpeix.

A cortiça é a casca da árvore, grossa e esponjosa. O descortiçamento é uma tarefa delicada. Várias regras devem ser respeitadas para proteger as árvores e obter cortiça de qualidade. É essencial uma boa gestão da floresta para garantir que as árvores se mantenham saudáveis.

"Por exemplo, no próximo inverno vamos cortar esta árvore, Porquê? é uma árvore dupla, não é muito saudável. Temos ao lado uma boa árvore que poderá desenvolver-se bem e com qualidade", sublinhou Jordi Miralpeix.

O impacto das alterações climáticas

A boa gestão da floresta não ajuda apenas a melhorar a produção. Permite também atenuar os efeitos das mudanças climáticas. Mas, apenas 25 por cento da floresta catalã é gerida de forma adequada.

A euronews falou com o cientista Carlos Garcia, que estuda o impacto das alterações climáticas na floresta catalã.

"Podemos ver esta floresta muito densa, com muitas árvores. Parece mais uma selva. É algo característico de uma floresta mal gerida", apontou Carlos Garcia.

O investigador sublinhou que as arvóres e toda a vegetação estão em competição para ter acesso à água numa situação de seca crescente.

"Em consequência, a floresta pode morrer. A mortalidade pode afetar certas plantas e aumentar o risco de incêndios. Podemos ver neste sobreiro, por exemplo, as marcas de um incêndio florestal de há sete ou oito anos", explicou Carlos Garcia.

A criação de consórcios de proprietários

A boa gestão florestal torna as árvores mais saudáveis e mais produtivas. Então por que razão há tantas florestas mal geridas? Uma das razões prende-se com o facto de a propriedade estar fragmentada. Cada proprietário possui apenas um pequena parcela da floresta e não tem interesse em investir na gestão florestal.

Para o cientista Carlos Gracia, a solução passa pela criação de consórcios. Se os proprietários florestais cooperarem na gestão florestal, a gestão de pequenas parcelas pode tornar-se viável e vantajosa. Esperam-se reformas do governo nesse sentido, para que as rolhas de cortiça possam continuar a vedar as garrafas de vinho de vidro.