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A revolta dos "coletes amarelos"

Incêndios e repressão policial abalaram o fim de semana na capital francesa
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O pau da bandeira é algo que Patrick Lalande está disposto a abdicar, contudo, este manifestante de 58 anos não está disposto a aceitar as dificuldades que se vivem em França.

“Quando vemos pessoas nas ruas sem um lar, há miséria em todo o lado. O custo de vida... Tudo é tão caro... Os reformados estão a lutar... É difícil para todos", afirma o contestatário.

Este manifestante dos "coletes amarelos" considera que o presidente Emmanuel Macron é o responsável pela instabilidade que se vive no país.

Uma ideia que não é partilhada por outro manifestante, que afirma que a responsabilidade não é apenas de Macron, mas do sistema instituído.

O manifestante, Leon Kokou, considera que “quando vemos que os nossos políticos têm o privilégio de comprar fatos que custam 45.000 euros, quando isso equivale aos salários anuais de três pessoas... Temos o direito de nos revoltarmos. Eles estão a tirar-nos tudo. No final, ficamos sem nada e eles continuam a tentar roubar-nos. Isso magoa."

Este grupo de amigos, dos arredores de Paris, juntou-se ao movimento dos "coletes amarelos", que nas últimas semanas tem protestado nas ruas contra o aumento do custo de vida em França, como sublinha o manifestante David Olivier: "Estamos a ser estrangulados por impostos. Estamos cansados da injustiça social - estamos constantemente a dar aos ricos e a tirar às classes mais baixas. Isto não pode continuar”.

No último fim de semana, Paris foi palco de uma autêntica batalha entre os manifestantes e as forças de segurança. Uma batalha que o Governo de Emmanuel Macron queria evitar.

A polícia viu-se obrigada a utilizar gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar a multidão.

Mais de duas centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 400 foram detidas.

O Arco do Triunfo, um dos principais símbolos de França, acabou vandalizado.