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Ministério público francês não pede condenação para Barbarin

Ministério público francês não pede condenação para Barbarin
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O ministério público francês não pediu condenação para o cardeal Phillipe Barbarin, que está a ser julgado com mais quatro antigos membros da sua diocese, pr não ter denunciado um padre pedófilo.

Ao longo dos três dias do julgamento, o arcebispo de Lyon manteve que "nunca escondeu nada", mas os advogados da acusação estão convencidos que mente.

Jean Boudot, um dos advogados da acusação, esclarece em que baseia a convicção:"Quando o cardeal Barbarin nos diz que percebeu em 2014 a amplitude do drama e a gravidade dos factos, quando ele sabe, pelo menos desde 2010, da boca do próprio padre culpado o número de casos, o período dos factos, a multiplicidade das vítimas e o caráter sexual dos atos, que tenha dito no jornal "La Croix", dois meses depois de ter recebido o padre Preynat, que era perfeitamente sensível ao incomensurável sofrimento das vítimas e que era preciso tê-lo em consideração, e que agora nos venha dizer que foi em 2014 que percebeu.... Eu digo que é mentira!"

Barbarin diz que soube dos factos depois de ouvir uma das vítimas. A acusação diz que já sabia e aponta também o dedo à Igreja que acusa de tentar camuflar os casos, referindo como prova emails trocados em 2015 entre o arcebispo e o seu superior hierárquico.

É uma ingerência que me incomoda, num país de direito como o nosso, numa república na qual a autoridade judicial tem toda a razão de ser. A Autoridade religiosa tem também razão de existir, mas são autoridades que devem justapôr-se e não substituir-se", afirma a advogada Emmanuelle Haziza.

A jurista afirma que "apesar de toda a literatura que tem produzido sobre o sofrimento das vítimas, a Igreja mantém a tradição do silêncio que faz parte da sua história".