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Mais de 100 milhões de pessoas enfrentam a pobreza na UE

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José, desempregado espanhol, e Eeva-Marie, trabalhadora a meio tempo finlandesa, estão entre os 113 milhões de pessoas que enfrentam a pobreza e a exclusão social na União Europeia, equivalente a 22,5 por cento da população do bloco comunitário (dados do Eurobarómetro, 2017).

Atualmente, a União Europeia é vista como estando a trabalhar em favor dos mercados, mas não das pessoas

Sian Jones Coordenadora, Rede Europeia Anti-Pobreza

Foram convidados a vir a Bruxelas pela testemunhar sobre o tema, terça-feira, numa sessão no Parlamento Europeu.

"Eu morava na Costa Rica e tive que voltar para Espanha com urgência porque o meu irmão estava doente, tendo acabado por falecer pouco depois de eu chegar. Tive que esperar que fizesse um ano de permanência em Espanha para poder começar o processo de pedir ajuda social. Agora temos, também, mais trabalhadores pobres, isto é, pessoas que têm um salário, mas que não lhes chega até ao final do mês", disse, à euronews, José Maria De Léon Civera.

Os trabalhadores já representam 9,6 por cento das pessoas em risco de pobreza, equivalente a cerca de 32 milhões de pessoas na União Europeia.

Para Eeva-Marie Grekula, investigadora universitária que tem, agora, um emprego a tempo parcial com que sustenta a filha mais nova, o problema é a crescente desigualdade.

"Na Finlândia, as pessoas ricas estão a receber benefícios fiscais e, ao mesmo tempo, estão a ser cortadas as ajudas sociais para os mais pobres. Os meus amigos e familiares têm-me ajudado, evitando que eu tenha problemas mais graves tais como perder o direito ao crédito", explicou à euronews.

Fatores que contribuem para a pobreza

Na sessão parlamentar será debatido o relatório de 2018 elaborado pela Rede Europeia Anti-Pobreza.

Entre as razões que contribuem para o aumento de pobres, a organização menciona:

  • salários mais baixos
  • contratos de trabalho precários
  • mais difícil acesso à habitação
  • preços mais altos para energia, comida e saúde

No caso de Portugal, o relatório dá como exemplo o facto de, entre 2010 e 2016, o custo da habitação para as famílias mais pobres ter aumentado 40 por cento e dessas famílias terem de gastar 35,1 por cento do seu rendimento para pagar esta despesa.

"Atualmente, a União Europeia é vista como estando a trabalhar em favor dos mercados, mas não das pessoas", disse, à euronews, Sian Jones, coordenadora da Rede em Bruxelas.

"Precisamos de maior justiça tributária, precisamos de sistemas de redistribuição que permitam investir na dimensão social do Estado e nos mecanismos necessários para criar empregos de qualidade", acrescentou.

A pobreza na União Europeia ainda é quatro por cento mais alta do que antes da crise financeira de 2008.