Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.
Última hora

Mais de 58 mil "coletes amarelos" em novo protesto violento

Autoridades reprimiram "coletes amarelos" com água e balas de borracha
Autoridades reprimiram "coletes amarelos" com água e balas de borracha -
Direitos de autor
REUTERS/Philippe Wojazer
Euronews logo
Tamanho do texto Aa Aa

O "Ato XII" do protesto dos "coletes amarelos" ficou marcado por novos confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança.

A 12.ª manifestação contra as políticas do Presidente Emmanuel Macron incluiu uma homenagem as vítimas da violência policial excessiva, reforçada pela decisão de véspera do Governo de continuar a autorizar o uso pela polícia das balas de borracha.

De acordo com os números das autoridades, este "Ato XII" contou com a mobilização por toda a França de 58.600 "coletes amarelos", o que significa uma redução face aos 69.000 estimados no "Ato XI", há uma semana.

Só em Paris, alega o Ministério do Interior, terão participado no protesto deste sábado 10.500 "coletes amarelos".

A estimativa do Gabinete de Ocorrência, um coletivo constituído por diversos meios de comunicação franceses, aponta para 13.800 manifestantes no protesto de sábado em Paris.

Certo é que entre os "coletes amarelos" mobilizados em Paris voltou a estar Jérôme Rodrigues, o lusodescendente ferido no olho direito há uma semana, na sequência da presumível deflagração de uma granada de gás lacrimogéneo GLI-F4.

??? LA COHÉSION MÈNERA À LA VICTOIRE ??✊??

Publiée par Jerome Rodrigues sur Samedi 2 février 2019

Rodrigues foi inclusive aclamado como herói da resistência dos "coletes amarelos" e por várias vezes ao longo do dia dirigiu às palavras aos camaradas de protesto, ao mesmo tempo que ia partilhando o decorrer do dia pelas redes sociais.

"A coesão conduzirá à vitória", escreveu o lusodescendente no Facebook, na legenda a duas fotografias em que surge, de pala no olho, na companhia de vários manifestantes.

Rodrigues foi o mais mediático das recentes vítimas da alegada violenta repressão policial dos protestos dos "coletes amarelos", mas não foi o único.

Presentes estiveram também Antonio Barbetta e Patrick Galliand, dois manifestantes feridos no decorrer do "Ato II" do movimento, a 24 de novembro.

"A violência policial é abusiva. Estive em contacto com muitos dos feridos e posso garantir que são pessoas não violentas. Eu sou contra a violência de ambos os lados. Lamento as vítimas existentes dos dois lados, mas devo sublinhar ainda assim a existência de mais vítimas do lado dos 'coletes amarelos' do que do lado da polícia", afirmou Barbetta à agência Associated Press.

Outra vítima da repressão policial no "Ato II", Galliand disse à Reuters ter sido "importante partilhar o testemunho enquanto vítima".

"Nunca devia ter sido ferido. Não sou um vândalo, não sou um 'black bloc' nem o tipo de pessoas que atira coisas à polícia", defendeu-se Galliand.

O protesto deste sábado fez-se com muitos cartazes a criticar o uso pelas forças de seguranças das LBD-40, as espingardas de balas de borracha de calibre 40mm, e as GLI-F4, as granadas de gás lacrimogéneo com TNT no interior para ajudar a propagar fragmentos após a deflagração.

Os "coletes amarelos" alegam que o recurso a estas armas têm-se revelado um abuso das autoridades no confronto com os manifestantes.

Este sábado, as autoridades voltaram a fazer uso das armas de repressão, nomeadamente o gás lacrimogéneo, as balas de borracha e os canhões de água.

Mais de 30 manifestantes foram detidos pela polícia, na capital francesa, dos quais 21 ficaram em prisão preventiva, revelou a procuradoria de Paris.

em Bordéus, pelo menos 17 manifestantes foram detidos. Em Nantes, de acordo com a France Press, pelo menos dois polícias resultaram feridos em confrontos no âmbito do "Ato XII" dos "coletes amarelos.

Na Finisterra, em Morlaix, outro polícia necessitou de receber assistência e quatro pessoas foram detidas.

No leste do país, em Estrasburgo e Nancy, também se registaram confrontos. Pelo menos 32 pessoas foram detidas.

O ministro do Interior francês, Christophe Castaner, admitiu que a LBD é uma arma com capacidade de provocar ferimentos, mas defendeu a utilização pelas forças de segurança como medida de defesa "contra os desordeiros."

Entretanto, já ao final da tarde de sábado, Castaner condenou "fortemente", pelas redes sociais, "os danos e a violência cometidas" pelos manifestantes. "Obrigado às nossas forças da ordem pela mobilização, pelo sangue frio e pelo profissionalismo", escreveu o ministro francês do Interior.