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Theresa May entre o acordo e a saída... do governo

Theresa May entre o acordo e a saída... do governo
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REUTERS/Henry Nicholls
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Foi mais um dia de intensas reuniões em Downing Street para uma última tentativa de salvar o acordo de Theresa May para o Brexit.

A primeira-ministra mantém a esperança de submeter pela terceira vez o projeto de saída do Reino Unido da União Europeia, apesar de o Parlamento ter assumido o controlo das negociações.

Só que May pode agora ter um trunfo para jogar. Jacob Rees-Mogg, líder do ERG (European Research Group), a fação do Partido Conservador que luta por um Brexit duro, deixou no ar a hipótese de vir a apoiar o acordo. A mesma posição terá já sido assumida por Boris Johnson, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, que teme a reversão completa do processo de saída.

De acordo com Adam Cygan, professor de Direito da União Europeia na Universidade de Leicester, este cenário de apoio pleno da bancada conservadora poderia ajudar a desbloquear o impasse.

"Acho que seria um pouco prematuro descartar o acordo. Há uma chance agora de que aqueles que se opuseram ao acordo, particularmente no lado do ERG, estarão a contemplar isso e a dizer que ou é o acordo de May ou não há Brexit. Penso que é nisso que estão agora focados", afirmou Cygan.

Nas ruas, os britânicos dividem-se entre a saída e a permanência. Já do lado europeu, todos os cenários estão acautelados, desde o não acordo até um segundo referendo. No entanto, Guy Verhofstadt, líder dos Liberais no Parlamento Europeu, acredita que os deputados britânicos possam dar uma orientação clara dos próximos passos.

"Não nos cabe a nós decidir sobre um segundo referendo. Isso não está nas nossas competências. A nossa competência é ter uma saída ordenada. Assim, espero agora ouvir da Câmara dos Comuns nos próximos dias, o mais tardar na próxima semana, qual é a proposta deles em favor de algum cenário", declarou Verhofstadt à euronews.

Mas para o acordo ter um futuro, Theresa May poderá ter de dizer adeus no presente.

A imprensa britânica adiantou nas últimas horas que a primeira-ministra poderia sair do cargo, se isso significar a aprovação no parlamento.

Entre o impasse e a incerteza, os jornais britânicos discutem já a hipótese de novas eleições.