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Racismo e Xenofobia classificados como ameaça em Itália

Racismo e Xenofobia classificados como ameaça em Itália
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O aviso dos serviços secretositalianos não deixa margem para dúvidas: o racismo e a xenofobia estão entre as maiores ameaças que Itália enfrenta até ao final do ano. O país, governado por um executivo populista, tem endurecido as políticas de migração. A Alta Representante da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, enviou uma equipa para o terreno para averiguar as denúncias de perseguição racista aos migrantes.

Ainda não há resultados finais desta missão, mas as evidências da violência são muitas.

Há três anos, a vida de Jerry mudou quando, num autocarro em Itália, pediu a um homem para dar o lugar a uma mulher grávida. "Deu-me um soco na parte de trás da minha cabeça e eu cai. Acabou ali. Nunca mais posso andar. Partiu-me as mãos e não tenho força," conta

A história de Jerry é uma entre milhares. É o que diz Hilarry Sedu, o primeiro advogado de origem africana a estar inscrito na Ordem dos Advogados italiana, em Nápoles. Nasceu na Nigéria e foi para Itália com um ano de idade. Fugiu ao estereótipo e agora pede mais inclusão.“Devemos integrar os refugiados que chegam a Itália, mas aqueles que cresceram aqui, que nasceram aqui, filhos de migrantes, não precisam de ser integrados na sociedade italiana. Nasceram nela. Precisam de ser incluidos e ter as mesmas oportunidades em igualdade," afirma Sadu.

Grazia Naleto, da Lunaria, uma organização independente, não esconde que, apesar de ser difícil ter dados recentes sobre as diferenças na sociedade desde que o atual governo está no poder, já é possível detectar uma tendência. Diz que “a retórica política é muito violenta, muito agressiva em relação aos refugiados, aos que procuram asilo e ao povo cigano. Isto desencadeia hostilidade e, às vezes, comportamentos sociais violentos contra estes grupos."

De acordo com a Lunaria, 2018 foi um ano anómalo, com o aumento da violência racista e xenófoba. Foi o ano em que um extremista disparou sobre um grupo de 6 migrantes africanos, em Macerata. Os dois vice-primeiros-ministros - Salvini e Di Maio - desmentem que haja um aumento dos ataques racistas no país. Dizem que é uma invenção da esquerda.