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Renamo oficializa candidatura de Ossufo Momade à presidência

 Secretário-geral da Renamo, André Majibire (C), fala aos jornalistas após entrega da candidatura
Secretário-geral da Renamo, André Majibire (C), fala aos jornalistas após entrega da candidatura -
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LUSA/ António Silva
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A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, apresentou esta quarta-feira no Conselho Constitucional (CC) a candidatura do respetivo líder, Ossufo Momade, à Presidência da República.

O candidato esteve ausente da entrega do processo, mantendo-se na Serra da Gorongosa.

Em declarações à comunicação social, após a oficialização da candidatura, o secretário-geral da Renamo, André Majibire, justificou a ausência de Ossufo Momade do ato com a necessidade de gerir o processo de paz e os assuntos do partido, a partir da serra da Gorongosa, onde está o "quartel-general" do braço armado da organização.

"O presidente Ossufo Momade não veio por uma razão muito simples: neste momento está na Gorongosa a fazer o acompanhamento do diálogo do processo de paz e a dirigir a vida do partido", declarou o secretário-geral.

Apesar de a lei moçambicana não exigir a presença do candidato à eleição presidencial, o costume é os concorrentes estarem no ato de apresentação, para saudarem os militantes e falarem à imprensa.

Os candidatos da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, Filipe Nyusi, atual chefe de Estado, e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, estiveram presentes na apresentação das suas candidaturas.

No caso de Ossufo Momade, a expetativa em relação à sua ida hoje ao CC era maior, uma vez que a sua liderança é contestada por uma fação do braço armado da Renamo, que ameaçou matá-lo caso não se afaste da direção do partido e que assegurou que o mesmo se encontra sitiado na serra da Gorongosa.

O secretário-geral da Renamo assinalou que o partido está seguro na vitória do candidato presidencial e da organização política nas eleições gerais de 15 de outubro.

"Estamos a trabalhar para que no dia 15 de outubro se declare o nosso presidente vencedor, porque queremos acabar com o sofrimento do povo", frisou André Majibire.

Majibire considerou vergonhoso o recenseamento eleitoral, apontando o caso da província de Gaza, sul do país, que ganhou mais 10 mandatos para a Assembleia da República por ter ultrapassado a meta do número de registo de eleitores.

"O que aconteceu na província de Gaza é ridículo, ninguém morre, ninguém viaja" durante o recenseamento eleitoral.

O secretário-geral da Renamo acusou o Secretário Técnico de Administração Eleitoral (STAE) de ter programado a manipulação do recenseamento eleitoral para beneficiar a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder.

O STAE, prosseguiu, reduziu o número de assentos nas províncias que tradicionalmente votam na oposição, e aumentou nos círculos eleitorais favoráveis à Frelimo.

Renamo sublinha compromisso

com processo de paz

A Renamo anunciou, entretanto, já ter identificado "possíveis" centros de acantonamento para os membros do seu braço armado, como sinal de compromisso com o processo de paz.

"O grupo [da Renamo] encarregue do DDR [Desarmamento, Desmobilização e Reintegração] rodou por todas as províncias a fazer a identificação das bases da Renamo e a identificar os possíveis locais para o acantonamento", declarou André Majibire.

O secretário-geral destacou que o partido está comprometido com o processo de paz, atualmente em discussão com o Governo moçambicano.

"Se dependesse de nós, hoje mesmo podíamos assinar o acordo de paz, mas acreditamos que vamos chegar lá. A Renamo está comprometida com a paz", frisou Majibire.

O secretário-geral da Renamo não indicou o número nem os locais dos possíveis centros de acantonamento dos membros do braço armado da Renamo

André Majibire salientou que as negociações para uma paz duradoura em Moçambique conheceram um impulso no encontro entre o líder do principal partido da oposição, Ossufo Momade, e o Presidente da República, Filipe Nyusi, no dia 02 deste mês.

As Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado da Renamo não se têm confrontado desde finais de 2017, mas o Governo e o principal partido da oposição ainda não assinaram um acordo formal para uma paz definitiva, mantendo-se em negociações para o efeito.

Apesar de as duas partes terem assinado em 1992 o Acordo Geral de Paz que encerrou 16 anos de guerra civil, o país tem sido assolado por surtos de violência armada, devido a diferendos nos processos eleitorais.

O atual processo paz tem sido marcado por divergências relacionadas com o DDR, apesar de avanços no pacote de descentralização, que culminaram com a introdução da eleição de governadores provinciais, pela primeira vez nas eleições gerais de outubro próximo.