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Greves e despedimentos na Ryanair: o que está em causa?

Greves e despedimentos na Ryanair: o que está em causa?
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REUTERS/Hannah McKay
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A ameaça de centenas de despedimentos anunciada esta quarta-feira pelo presidente executivo na Ryanair será apenas uma manobra para tentar evitar as greves previstas para este mês de agosto.

A acusação partiu de Bruno Fialho, vice-presidente do Sindicato Português do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), em declarações à Rádio Renascença, horas depois da divulgação do vídeo interno emitido por Michael O'Leary a justificar os cortes no pessoal até final deste ano.

"Nos primeiros trimestres no decorrer dos dois últimos anos, os nossos lucros caíram cerca de 41 por cento e isto deve-se sobretudo a tarifas mais baixas, em especial no Reino Unido com o 'brexit' e na Alemanha, a preços muito mais altos nos combustíveis e a custos mais altos com pessoal, sobretudo devido ao grande aumento salarial de pilotos e assistentes de bordo que negociámos no ano passado", começou por explicar o presidente executivo no vídeo destinado aos funcionários.

O'Leary acrescentou que "estas mas notícias" surgiram apenas "duas semanas após o anúncio do atraso na entrega dos aviões [Boeing 737] Max".

"Em vez de recebermos 58 novos aviões para o verão de 2020, na melhor das hipóteses vamos receber apenas 30. Isso implica que vamos precisar de menos 600 pilotos e assistentes de bordo no próximo verão", concretizou.

"Em cima dessas más notícias, temos já um excesso de mais de 500 pilotos e cerca de 400 assistentes de bordo porque as rescisões foram praticamente zero desde janeiro deste ano. A somar a estes desafios, nas últimas semanas agravou-se a hipótese de um 'brexit' sem acordo daqui a três meses. Receamos que isto possa ter um impacto muito mau, sobretudo nas nossas bases britânicas e irlandesas", explicou o presidente executivo da Ryanair.

"Tudo somado", a Ryanair decidiu ser "necessário reduzir o número de aviões e o pessoal". "Não apenas no verão de 2020, mas também já no início do inverno em 2019", especificou, revelando que o processo de despedimento está ainda em estudo, devendo começar "no final de setembro" e sofrer uma nova vaga "após o período do Natal".

Algumas bases e rotas atuais irão também ser fechadas pela companhia irlandesa de baixo custo, que atualmente, de acordo com a Bloomberg, emprega cerca de 5.500 pilotos e 9.000 assistentes de bordo, com a empresa a antever uma redução na oferta de lugares na ordem dos cinco milhões.

Estima-se que cerca de 900 funcionários da Ryanair, entre pilotos e assistentes de bordo, sejam afetados pelos despedimentos.

Bipolaridade na Ryanair

"Temos aqui um caso de bipolaridade", afirmou Bruno Fialho, à Renascença. O presidente executivo Michael O'Leary diz que a Ryanair vai proceder a despedimentos depois de, no dia anterior, o diretor financeiro ter dito que a companhia está a crescer e está muito bem", acrescentou o vice-presidente do SNPVAC.

O responsável do sindicato criticou a passividade do Governo português na defesa dos direitos dos funcionários portugueses da companhia irlandesa de baixo custo, o que entender ser mais um dado a ajudar à decisão de se avançar para a paralisação.

"Nos próximos dias iremos emitir um pré-aviso de greve para o mês de agosto. Estamos apenas a avaliar os dias que menos prejudiquem os emigrantes e a diáspora portuguesa, nesta época de férias"

Os assistentes de bordo portugueses da Ryanair acusam a companhia de "nunca ter cumprido o protocolo celebrado com o Sindicato em novembro, onde ficou estabelecida a obrigatoriedade do cumprimento integral da legislação laboral portuguesa até 01 de fevereiro de 2019".

"Algo que, até ao presente não foi concretizado" lia-se num comunicado recente emitido pelo SNPVAC, onde já se avançava a ameaça de uma greve "durante o mês de agosto" e "por um período mínimo de cinco dias".

Curioso é o anúncio de recrutamento da Ryanair em Portugal, que esteve aberto até esta sexta-feira e irá ser avaliado a 05 de agosto, numa altura em que a companhia anuncia despedimentos.

O que se exige em Portugal

Os funcionários reclamam o pagamento de subsídio de Férias e de Natal, a passagem para o quadro de efetivos da companhia de todos os assistentes de bordo com mais de dois anos de ligação à Ryanair através de empresas de trabalho temporário, "sem perda de retribuição, antiguidade e com as mesmas condições fundamentais de trabalho e emprego dos restantes colegas do quadro".

Os portugueses exigem também 22 dias de férias mínimos e o cumprimento integral da Lei portuguesa da parentalidade.

A Ryanair enfrenta ainda ameaças de greves iminentes nos aeroportos britânicos de Heathrow, Gatwick e Stansted.

A Associação Britânica de Pilotos de Aviação revela na próxima semana a decisão dos associados ligados à Ryanair de avançarem também com uma ação contra a companhia.