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Aung San Suu Kyi rejeita acusação de genocídio dos Rohingya

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Nobel da Paz em 1991, a agora chefe do governo lidera a defesa de Myanmar
Nobel da Paz em 1991, a agora chefe do governo lidera a defesa de Myanmar   -   Direitos de autor  ASSOCIATED PRESS/ Peter Dejong
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A chefe de governo "de facto" de Myanmar demarcou-se esta quarta-feira das acusações de genocídio contra os Rohingya na antiga Birmânia.

O caso foi levado ao Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia, na Holanda, pela Gâmbia, em nome da Organização de Cooperação Islâmica, que representa a minoria étnica vítima neste processo.

No primeiro de três dias de audiências na mais alta instância de justiça das Nações Unidas foram ouvidos os termos da acusação apresentada pelo país da costa oeste africana.

Neste segundo dia, os microfones foram para a defesa de Myanmar e Aung San Suu Kyi descreveu a acusação como manipuladora da verdade.

"Lamentavelmente, a Gâmbia colocou perante o tribunal uma imagem factual incompleta e enganadora da situação no estado de Rakhine, em Myanmar. Ainda assim, é da maior importância que o tribunal avalie a situação observada no terreno, em Rakhine, de forma imparcial e exata", disse a Nobel da Paz de 1991, sublinhando ainda perante o coletivo de juízes que "a situação em Rakhine é complexa e difícil de entender".

A Conselheira de Estado, função que a coloca a liderar o governo de Myanmar, admite ainda assim que as forças de segurança podem ter abusado na repressão infligida à minoria muçulmana Rohingya.

"Não pode ser deixado de parte o uso de força excessiva por elementos das forças de defesa. Em alguns casos, violando leis internacionais de Direitos Humanos. Nem que esses membros da segurança não fizeram, claramente, distinção entre combatentes das ARSA e civis", assumiu Aunf San Suu Kyi.

A chefe de Governo da antiga Birmânia deixou ainda expresso ao TIJ o que deve ser permitido: "Se crimes de guerra foram cometidos por elementos dos serviços de defesa de Myanmar, esses elementos serão julgados pelo sistema judicial militar de Myanmar, de acordo com a constituição de Myanmar."

A explicação da também líder da equipa de defesa de Myanmar em Haia para ser a justiça do país a gerir o caso passa pela convicção de que tudo não passa de "um conflito armado interno" contra a ARSA, uma milícia rebelde Rohingya.

Terá sido um ataque armado da ARSA que em agosto de 2017 espoletou a resposta violenta das forças de segurança de Myanmar e que atingiu indiscriminadamente os Rohingya.

Desde então, há registos de diversos assassinatos, violações e destruição de casas de uma minoria étnica a quem são limitados em Myanmar os direitos de cidadania, circulação e residência.

Cerca de oitocentos mil Rohingya já fugiram do país só nos últimos dois anos para escapar aos ataques indiscriminados das forças de segurança.

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