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Segundo cidadão português confirmado com Covid-19

Navio ancorado em Yokohama originou mais de 700 casos de infeção desde 05 de fevereiro
Navio ancorado em Yokohama originou mais de 700 casos de infeção desde 05 de fevereiro   -   Direitos de autor  AP Photo/Eugene Hoshiko   -   Eugene Hoshiko
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Um segundo cidadão português está hospitalizado no Japão "por indícios relacionados" com o Covid-19, também tripulante do navio de cruzeiros Diamond Princess, confirmou à agência Lusa o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

"Dois dos tripulantes portugueses do Diamond Princess tiveram de ser hospitalizados, no Japão, por indícios relacionados com o novo coronavírus. Ambos dispõem dos cuidados médicos necessários e são apoiados pela embaixada portuguesa em Tóquio", disse numa resposta escrita à Lusa fonte oficial do MNE.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que um dos portugueses é Adriano Maranhão e o segundo infetado "não quer ser identificado" e pediu que a "sua situação seja mantida privada".

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou hoje que havia um segundo caso nas mesmas circunstâncias que as do português infetado pelo novo coronavírus.

"Há um reduzido número de portugueses que, por sua vontade, permaneceram e permanecem na cidade chinesa de Wuhan e a informação que tenho é que todos se encontram bem. Há um cidadão português internado num hospital no Japão que é tripulante de um navio de cruzeiro e que está a receber tratamento, há outro cidadão português nas mesmas circunstâncias, três tripulantes portugueses que ainda estão a bordo desse navio de cruzeiro e todos eles têm sido submetidos a testes que têm dado sempre resultados negativos", afirmou.

O chefe de diplomacia portuguesa falava aos jornalistas, à margem da sessão de encerramento do ciclo de conferências "NATO aos 70: Passado e Futuro", em Lisboa.

O ministério adiantou, entretanto, que este segundo caso "ainda se encontra em observação hospitalar".

Augusto Santos Silva confirmou também que todos portugueses retidos no Irão contactaram a embaixada portuguesa em Teerão e "têm assegurado o seu regresso antecipado" a Portugal, sem adiantar quais as datas para o regresso destas pessoas.

A TSF noticiou que um grupo de turistas portugueses que está no Irão viu o seu voo de regresso, marcado para a próxima segunda-feira, ser cancelado devido ao surto do novo coronavírus e temia ficar retido no país.

Segundo a estação de rádio, só na cidade de Isfahan estariam pelo menos oito pessoas nesta situação.

Várias companhias aéreas deixaram de voar para o Irão devido ao elevado número de casos do Covid-19 neste país.

"A informação que tenho da embaixada em Teerão é que todos esses planos antecipados de regresso estão garantidos", vincou o governante.

Questionado sobre se estes portugueses vão estar em quarentena quando chegarem ao país, o chefe da diplomacia referiu que "as pessoas têm as recomendações das autoridades médicas para agir se se verificarem" sintomas relacionados com a infeção pelo novo coronavírus ou se tiverem estado em contacto com pessoas contagiadas.

"No que compete ao Ministério dos Negócios Estrangeiros tratava-se apenas de apoiar esses concidadãos que nos pediram ajuda no sentido de antecipar o seu regresso a Portugal e isso foi feito", acrescentou Santos Silva.

Caso suspeito nos Açores

Os Açores registaram quinta-feira o primeiro caso suspeito de infeção pelo novo coronavírus (Covid-19), um homem de 31 anos que esteve em Milão (Itália), revelou o Governo Regional.

"A Autoridade Regional de Saúde, relativamente ao surto de pneumonia pelo novo coronavírus (Covid-19), informa que está a ser avaliado o primeiro caso suspeito de infeção por este novo coronavírus (Covid-19) na Região Autónoma dos Açores", lê-se num comunicado do Gabinete de Apoio à Comunicação Social do executivo açoriano.

Segundo o mesmo comunicado, o utente é um homem de 31 anos, residente no concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, "que regressou no dia 19 de fevereiro de Milão, Itália".

A Autoridade Regional de Saúde acrescenta que o caso "está já a ser acompanhado pelas autoridades de saúde" e que "serão agora realizadas as colheitas de amostras biológicas para diagnóstico laboratorial", de acordo com os procedimentos fixados.

A secretária regional da Saúde dos Açores revelou na quarta-feira que os três hospitais da região -- nas ilhas do Faial, Terceira e São Miguel - tinham 80 quartos de isolamento disponíveis para acolher potenciais portadores do vírus.

Segundo o diretor regional da Saúde, Tiago Lopes, "primariamente os doentes serão transportados para o Hospital Santo Espírito da Ilha Terceira, porque é o hospital que tem a capacidade de laboratório para fazer a confirmação do diagnóstico e os quartos com pressão negativa para proceder ao internamento e tratamento do caso suspeito".

O executivo açoriano apela a que em caso de sintomas os utentes liguem para a Linha Saúde Açores (808 246 024), em vez de se dirigirem a um hospital ou unidade de saúde.

Portugal anunciou, apenas em 24 horas, 27 novos casos suspeitos de infeção pelo Covid-19, totalizando 52 até agora, dos quais 16 se encontram a aguardar resultados laboratoriais, indicou a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Os dados constam no boletim epidemiológico do Covid-19, que não reportava nenhum caso de infeção pelo novo coronavírus em Portugal até às 19:00 de quinta-feira, momento em que ainda havia apenas 26 novos casos registados ao longo do dia.

Do total de novos casos suspeitos, 26 são pessoas provenientes do norte de Itália e um do Japão.

De acordo com o boletim diário, divulgado depois das 20:00, Portugal já registou 52 casos suspeitos, 36 dos quais resultaram negativo após testes laboratoriais.

Segundo fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros, "dois dos tripulantes portugueses do Diamond Princess tiveram de ser hospitalizados, no Japão, por indícios relacionados com o novo coronavírus", um deles com a infeção confirmada e outro ainda "em observação hospitalar".

O Covid-19, detetado em dezembro na China e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, já provocou mais de 2.800 mortos e infetou mais de 82 mil pessoas, de acordo com dados reportados por cerca de 50 países e territórios.

Das pessoas infetadas, mais de 33 mil recuperaram.

Além de 2.744 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França, Hong Kong e Taiwan.

A Organização Mundial de Saúde declarou o surto do Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e alertou para uma eventual pandemia, após um aumento repentino de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.