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Mortes continuam a subir e Governo prepara novo estado de emergência

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Posto de testes rápidos de diagnóstico do Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa
Posto de testes rápidos de diagnóstico do Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa   -   Direitos de autor  EPA/ ANDRE KOSTERS/ LUSA
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Portugal deverá prolongar por mais duas semanas o estado de emergência devido à pandemia de Covid-19.

O Governo apreciou hoje, em Conselho de Ministros extraordinário, o pedido do Presidente da República para essa prorrogação e decidiu apoiar a sugestão, preparar a regulamentação devida e apresenta-la a votação na Assembleia da República, cabendo depois ao chefe de Estado apresentar o novo decreto.

Sobre a abertura das escolas após as férias de Páscoa, a decisão será tomada, como anteriormente previsto, até à quinta-feira, 09 de abril.

A comunicação do primeiro-ministro António Costa aconteceu horas depois de ter sido anunciado um agravamento de quase 11% por cento no número de infeções no país de terça para quarta-feira.

As recuperações de Covid-19 estão, no entanto, estagnadas desde a passada quinta-feira, enquanto o número de mortes associadas ao novo coronavírus em Portugal somou mais 27 e ascendeu aos 187 óbitos, e o número total de infeções subiu 808 e situa-se nas 8.251.

As pessoas consideradas recuperadas da Covid-19 mantêm-se assim há cerca de uma semana nas 43. A estagnação pode ter explicação, no entanto, na poupança de testes para as pessoas não testadas e com sintomas de poderem estar infetadas.

As autoridades de Saúde explicam que para um paciente ser dado como recuperado tem de registar dois testes negativos no espaço de 24 a 48 horas.

A prioridade, contudo, não está em recuperar, mas em encontrar novos infetados e cortar a corrente de propagação.

Cenário possível

Filipe Froes, coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos para a covid-19, citado na segunda-feira pelo jornal Público, disse desconhecer o "problema real" que leva o número de recuperados ter estagnado desde quinta-feira.

O pneumologista admitiu, contudo, um cenário: "Ninguém vai desperdiçar duas amostras neste momento para o critério de cura.”

A confirmar-se este cenário poderão já ser muito mais os sobreviventes de Covid-19 em Portugal, mas sem confirmação possível pelas autoridades devido à falta de testes para confirmar as recuperações.

Mês perigosíssimo

O primeiro-ministro de Portugal esteve, da parte da manhã, num programa de grande audiência da televisão portuguesa e avisou que este mês de abril é "perigosissimo" na luta para travar a Covid-19. António Costa admitiu o apertar das limitações de circulação em pleno período de Páscoa.

“Os últimos dias dizem-nos que o ritmo de crescimento está menor. Pode ser um bom sinal, mas este mês é perigosíssimo. Em primeiro lugar porque há a Páscoa. Temos de vivê-la este ano de uma forma radicalmente diferente daquela que estamos a viver", afirmou António Costa no Programa da Cristina.

Horas antes de mais um Conselho de Ministros extraordinário, o primeiro-ministro ainda não confirmava o aguardado pedido de Marcelo rebelo de Sousa para prolongamento do estado de emergência, mas antecipou "medidas mais claras para que as pessoas percebam que no período da Páscoa não podem mesmo andar a circular e devem ficar na sua residência permanente".

"Acho que vamos ter de apertar um bocadinho, dando um sinal mais claro de que não é mesmo época para andarmos de um lado para o outro”, reforçou o primeiro-ministro.

Teste inteligente em 10 minutos

O Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, começou entretanto esta quarta-feira a realizar uma chamada "triagem smart" (inteligente) de potenciais pacientes portadores deste novo coronavírus.

O processo, contudo, não diagnostica o vírus também conhecido como SARS-CoV-2, apenas faz uma análise rápida de risco ao utente, permitindo despistar infeções e doenças normalmente associadas à Covid-19.

Numa fase inicial a "triagem inteligente" (onde chegam doentes encaminhados pelos médicos) funciona 12 horas por dia, mas pode prolongar-se até às 24 horas.

Todo o processo demora cerca de 10 minutos e é feito através de um equipamento desenvolvido pela empresa portuguesa Biosurfit, tendo o apoio do Instituto de Medicina Molecular.

Funciona com a instalação de uma aplicação, o preenchimento de dados pessoais e a resposta a um questionário de meia dúzia de perguntas.

Sem precisar de sair do carro (ou ambulância) ao doente é-lhe retirado sangue e recolhe-se uma amostra de secreções (zaragatoa).

Em menos de 10 minutos, o utente recebe o resultado do risco de covid-19, são-lhe dadas indicações de acordo com o diagnóstico, que podem ir da vigilância domiciliária ao imediato internamento.