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Comissário do Mercado Interno garante que nenhum país será esquecido

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Comissário do Mercado Interno garante que nenhum país será esquecido
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A Covid-19 está a testar os limites da Europa e a expor as fraquezas do bloco. O equipamento médico vital está a esgotar-se e a situação crítica das cadeias de abastecimento atinge os empregos de milhares de pessoas. As empresas e a indústria foram arrasadas. A solidariedade entre os Estados-Membros está tensa. A Europa foi apanhada desprevenida mas está agora a pôr em prática o seu plano de batalha. E um homem está no centro dessa luta.

Thierry Breton, Comissário Europeu do Mercado Interno é o convidado desta semana do Global Conversation.

Resposta da UE

Isabelle Kumar (Euronews) - Com várias semanas de crise, fala-se numa guerra. Os senhores estão na linha da frente desta guerra. Como é que está a ser gerida a resposta do bloco?

Thierry Breton - Penso que é importante lembrar a todos que que nenhum país do planeta está preparado, completamente preparado, para este tipo de crise. Ninguém. Todos se lembram que no final do ano passado descobrimos o vírus na China. Posso dizer-vos a verdade, ninguém o levou muito a sério. Mas no início de janeiro, recebemos um apelo de urgência da China. Um pedido de ajuda. E enviámos 56 toneladas de produtos, luvas, máscara, tudo, incluindo ventiladores. Infelizmente, a pandemia deslocou-se para a Europa e depois para todo o mundo. A primeira coisa que fizemos foi certificarmo-nos de que tínhamos equipamento e depois aumentar drasticamente a produção na Europa. Eu próprio liguei a todas as indústrias e elas reagiram extremamente bem aumentando a produção para o dobro ou o triplo e trabalhando 24 horas por dia. Mas não foi suficiente, é claro.

Isabelle Kumar - De que forma a União Europeia está controlar a situação, tendo em conta o panorama geral dos Estados-Membros?

Thierry Breton - Agora, como é evidente, a estratégia é muito clara. Decidimos que seremos totalmente auto-suficientes em termos de equipamento e que o seremos nos próximos meses. É extremamente importante porque, evidentemente, precisamos proteger os nossos cidadãos, os profissionais de saúde, mas também quem vai ter de regressar ao trabalho. Sabemos que eles terão de estar totalmente equipados.

Isabelle Kumar - De que forma a União Europeia está a controlar a situação, tendo em conta o panorama geral dos Estados-Membros?

Thierry Breton - Agora, como é evidente, a estratégia é muito clara. Decidimos que seremos totalmente auto-suficientes em termos de equipamento e que o seremos nos próximos meses. É extremamente importante porque, evidentemente, precisamos proteger os nossos cidadãos, os profissionais de saúde, mas também quem vai ter de regressar ao trabalho. Sabemos que eles terão de estar totalmente equipados.

Isabelle Kumar - Diz que seremos totalmente auto-suficientes. Em que termos? Em termos do equipamento médico e dos ventiladores? Tudo será agora produzido na Europa?

Thierry Breton - Mais uma vez, estamos a falar de equipamento de proteção pessoal, e esperemos que assim seja nos próximos meses. Até lá, termos fontes externa como a China e outros. Penso que a situação está a melhorar. Tem sido um enorme desafio. Tal como tem sido um desafio em outros países, no Reino Unido, nos Estados Unidos, agora. Em relação a nós, acreditamos que nos próximos meses seremos auto-suficientes.

Isabelle Kumar - Pode ser mais preciso? Tem uma linha temporal mais precisa?

Thierry Breton - Não. Mas acreditamos que é um feito inacreditável. Só para vos dar uma ideia, a China e a Ásia estão prontas para produzir cento e cinquenta milhões de máscaras por dia, o que não foi de todo o caso em Fevereiro, mas acreditamos que vamos ser capazes de fazer o que for preciso. E agora, claro, os ventiladores, E um momento muito importante, tem toda a razão em mencioná-los porque sabemos que o equipamento é necessário para muitos doentes em estado crítico. E, claro, fizemos exatamente a mesma coisa. Aumentámos as produções. Mas não foi suficiente. Por isso, reunimos com a Presidente Ursula von der Leyen muitas indústrias que provavelmente poderiam aumentar a produção e até criar novas linhas de produção . E a resposta tem sido tremenda.

Subida de Preços

Isabelle Kumar - Vamos avançar e falar sobre preços que subiram em flecha em alguns bens. E há a preocupação de que a cadeia de abastecimento possa quebrar em algumas áreas. É um aumento de preços de certos bens inevitável, uma vez que esta pandemia continua a atravessar a Europa?

Thierry Breton - Temos um conjunto muito robusto de ferramentas para controlar a situação e vamos aplicar imediatamente uma posição de execução. Desenvolvemos, como sabem, um conjunto muito poderoso de ferramentas para acompanhar a situação. Estamos a acompanhar e, se eu detetar esses casos, não hesitaremos em intervir e utilizar as ferramentas de execução que eu tenho enquanto comissário.

Isabelle Kumar - Pode obrigar os Estados-Membros a baixarem os preços de alguns bens se vir isso acontecer?

Thierry Breton - Em tudo o que é anormal em relação aos mercados e em relação à regulamentação. Serão usados todos os instrumentos.

Emprego

Isabelle Kumar - Gostaria de passar à situação dos postos de trabalho, porque temos ouvido os últimos dados da Confederação Europeia dos Sindicatos que estima que se tenham perdido um milhão de postos de trabalho nas últimas duas semanas. As PME, como sabe, representam dois terços dos postos de trabalho em toda a UE. Tendo em conta o que estamos a ver, isto é apenas a ponta do icebergue?

Thierry Breton - a Presidente von der Leyen e a Comissão colocaram em cima da mesa um fundo específico, chamamos-lhe SURE para ajudar os Estados-Membros que precisam de apoio durante este período. Esperemos que não dure para sempre, como é óbvio. Mas para dar munições aos Estados, para manter as pessoas, pagar os subsídios e gerir as empresas. E este é um grande fundo - cem mil milhões de euros.

Isabelle Kumar - Mas países como Espanha e Itália estão na linha da frente nesta matéria. Vão precisar mais destes fundos do que a maioria. Falta solidariedade. A Alemanha e os Países Baixos não participam quando se trata da mutualização da dívida. Será que vai mudar?

Thierry Breton - Em primeiro lugar, o que é extremamente importante é garantir que cada país europeu tem os seus próprios planos, a fim de salvar e permitir que a sua indústria e empresas recuperam durante e após outras crises. A Alemanha já construiu este plano e este plano foi votado na semana passada no Bundestag. É um plano enorme, são 156 mil milhões de euros. Nenhum país tem dinheiro para isso. A Alemanha não tem o dinheiro, os Países Baixos não têm o dinheiro, a França não tem o dinheiro. Ninguém, nenhum país da União Europeia poderia pagar este plano. Todos eles terão de pedir o dinheiro emprestado. Nenhum país será deixado de lado nesta crise.