Última hora
This content is not available in your region

Migrantes venezuelanos regressam a casa a pé

euronews_icons_loading
Migrantes venezuelanos regressam a casa a pé
Direitos de autor  Fernando Vergara/Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved.
Tamanho do texto Aa Aa

Nas estradas à volta de Bogotá, capital da Colômbia, são muitos os imigrantes venezuelanos que swe veem nas bermas a fazer o caminho de regresso a casa. Muitos estão dispostos a andar mais de 600 quilómetros para voltarem à Venezuela, já que a crise do coronavírus os deixou sem trabalho e sem nada.

Will Daza trabalhava como mecânico: "Não temos recursos para nos sustermos em termos de alimentação. As contas estão sempre a chegar e não temos dinheiro para comer, muito menos para pagar contas ou a renda de casa", conta.

Seguem a pé, em grupos. Por vezes, vão ter de subir desníveis de mais de 3000 metros, mal calçados. Nem as crianças são poupadas.

Jovens como Michelle veem nesta a única possibilidade de sobrevivência: "Trabalhava num restaurante. Uma vez que não podíamos mais trabalhar, mandaram-nos embora. Os negócios fecharam e o senhorio disse-nos que tínhamos de continuar a pagar a renda. Como podia pagar, sem trabalho?", conta.

Este grupo passou a noite num posto de gasolina. Há três dias que fazem este caminho. Para eles, regressar à Venezuela é a única opção: "Pelo menos lá tenho a minha casa, não tenho de pagar renda, nem água, nem eletricidade. Não tenho de pagar nada disso. Tenho comida, porque os meus filhos trabalham. Aqui não tenho nada disso", conta Maria Caguana, reformada.

Coronavírus e "coronafome"

Ao longo da estrada, encontramos alguns bons samaritanos. Orlando Beltrán, da ONG "El banquete del Bronx", dá de comer e beber todos os dias aos migrantes, que vêm não só da Venezuela, como também do Chile, do Peru e do Equador: "O maior perigo que correm é o coronavírus, porque fazem tudo muito juntos, como uma grande tribo. Comem juntos, falaam muito diretamente uns com os outros. O inimigo número um é o coronavírus e o inimigo número dois é a coronafome. A coronafome é algo horrível que lhes está a acontecer nestas estradas", diz.

O inimigo número um é o coronavírus e o inimigo número dois é a coronafome. A coronafome é algo horrível que lhes está a acontecer nestas estradas.
Orlando Beltrán
Voluntário da ONG "El banquete del Bronx"

Um bilhete para um autocarro improvisado pode custar 30 euros, algo que estes homens e mulheres não podem pagar.

A fronteira entre a Colômbia e a Venezuela está oficialmente fechada, mas as autoridades permitem o regresso destes migrantes. Bogotá e o governo de Nicolás Maduro cortaram as relações diplomáticas no ano passado, quando o presidente da Colômbia, Iván Duque, reconheceu Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.