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Catedral de Notre-Dame: um ano depois do fogo, a Covid-19

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Um homem de máscara passa diante da catedral de Notre-Dame, em Paris
Um homem de máscara passa diante da catedral de Notre-Dame, em Paris   -   Direitos de autor  AP Photo/Michel Euler
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A epidemia de Covid-19 está a ameaçar mais uma vítima debilitada em França. A catedral de Notre-Dame, consumida há exatamente um ano pelo fogo, tem as obras de reconstrução suspensas devido ao novo coronavírus e enquanto o estaleiro se mantiver sem trabalhos há o perigo de mais danos no edifício poderem ocorrer, apurou a Euronews.

A 15 de abril de 2019, ainda longe de sequer se imaginar o que chegaria no ano seguinte, França chorou a destruição pelo fogo de um dos mais icónicos tesouros históricos do país.A cobertura de madeira da Catedral de Notre-Dame foi consumida pelo fogo e ruiu.

Com ela caíram também as lágrimas de muitas pessoas, que assistiram incrédulas ao trágico incêndio num dos monumentos mais visitados da Europa.

"É um monumento histórico que está no coração dos franceses", diz-nos Rodolphe Néron, um dos primeiros bombeiros voluntários a chegar ao local. Passava pouco das sete horas da tarde daquela segunda-feira. Era quase noite em Paris.

"A primeira coisa que vimos foram os motores no lado direito da catedral. Não dava para ver mais. Depois vimos através das torres e percebemos que não havia teto no lado esquerdo. As chamas eram enormes. Foi impressionante", recorda Rodolphe Néro.

Cerca de 24 horas depois do incêndio, o Presidente de França, Emmanuel Macron, anunciou a reconstrução da catedral num prazo de cinco anos e prometeu, para isso, um investimento de mais de 750 milhões de euros, dois terços doados por algumas das famílias mais ricas do país.

Um ano depois, no entanto, a reconstrução está suspensa devido à epidemia de Covid-19.

A correspondente da euronews em Paris conta-nos que "os trabalhadores estavam ainda nas primeiras etapas do projeto quando as medidas de descontaminação necessárias para trabalhar no topo derretido da catedral foram consideradas incompatíveis com as regras em França para conter o surto do novo coronavirus".

"Desde aí, os trabalhos estão suspensos e isso, garantem os responsáveis, está a ameaçar a estrutura do edifício", acrescenta Anelise Borges.

Para o capelão de Notre-Dame, "enquanto houver andaimes instalados, há 50 por cento de hipóteses de que a catedral sofra mais danos".

"Quando os andaimes forem retirados, o que deve acontecer por volta de setembro ou outubro, terá de ser feita uma análise às diferentes pedras para sabermos quais terão de ser substituídas e quais podem manter-se. Depois é preciso colocar um género de guarda-chuva para proteger todo o edifício", explicou à euronews Brice de Malherbe.

A reconstrução da catedral de Notre-Dame estava no caminho de se tornar em mais um símbolo da união e da ambição dos franceses.

Agora suspensa, a empreitada está a transformar-se em mais uma batalha de que os franceses parecem obrigados a retirar-se. Pelo menos, enquanto a anunciada "guerra" contra o novo coronavírus não for ganha.