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Restaurantes reabrem em França

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Restaurantes reabrem em França
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Limpar, montar, perfurar, fazer a instalação e prever o espaçamento... A lista de coisas a fazer após dois meses de confinamento é longa neste bouchon ou restaurante tradicional de Lyon. Terça-feira, 2 de Junho foi o dia da reabertura de restaurantes em França.

As reservas começaram a chegar ao restaurante gerido pela lusodescendente Sónia Carvalho: "Desde esta manhã não pára. É verdade que os clientes fiéis estão felizes por voltar e querem mesmo voltar cá", diz.

Também na cozinha há já muita emoção. Os cozinheiros voltam a preparar ratatouille e quennelles, pratos típicos da região, para os clientes. As novas regras quebram um pouco o ritmo.

"Vamos certamente trabalhar mais devagar, estamos sempre habituados a estar sempre em cima do que é preciso, mas vamos adaptar-nos como todos os outros", diz o chef David Mizoule.

Se, durante a ausência da equipa, os quadros não mudaram de sítio, tudo o resto teve de mudar: O espaço foi reordenado para colocar as mesas a um metro e meio de distância umas das outras. Perde-se, de certa forma, o convívio, a própria essência destes templos da gastronomia.

"É mais triste, é maior, é mais vazio, mas a verdade é que somos os primeiros", diz uma cliente.

Inevitavelmente, mais espaço vazio significa menos clientes. O restaurante perde metade das mesas, o que a juntar à falta dos turistas, traça um panorama sombrio.

"Hoje estamos na total incerteza, trouxémos toda a equipa, porque não queremos desigualdades, mas vão trabalhar vinte em vez de 39 4horas. Ou seja, trabalham todos, mas o efetivo fica reduzido para metade", explica Philippe Florentin, co-proprietário do "café comptoir Abel"

Símbolo da gastronomia lionesa, os bouchons, os restaurantes típicos, são famosos pela atmosfera amigável e pelas tradições. Mas com menos turistas e mais distanciamento social, é preciso encontrar ideias para compensar a perda de receitas.

No restaurante de Muriel, só uma mesa em cada duas é utilizada. No menu do almoço há bolo de fígado e tarte praliné. Pratos que pensa propor em take-away, se as coisas não melhorarem. Longe das tradições de outrora.

Muriel Ferrari, proprietária do "Cafe des artisans", lamenta as mudanças: "Normalmente as pessoas sentam-se juntas, as mesas estão alinhadas, os clientes falam uns com os outros. Agora, nem se podem aproximar. É um golpe para o espírito do bouchon".

Muriel conta com a benevolência das autoridades locais. Para que se possa adaptar sem ter de comprometer demasiado a convivialidade que faz o encanto de estabelecimentos como este.