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British Airways sob suspeita de aproveitar pandemia para despedir

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Um avião da British Airways no aeroporto de Heathrow
Um avião da British Airways no aeroporto de Heathrow   -   Direitos de autor  Frank Augstein/Copyright 2017 The Associated Press. All rights reserved.
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Trabalhar numa companhia aérea foi e é um sonho para muitas pessoas. Mas com a pandemia o sonho está a tornar-se num pesadelo.

"Já voo há 20 anos. Desde os cinco anos que queria voar. Lembro-me de voar com a minha família e sempre gostava das hospedeiras de bordo. Vibrava, era uma coisa que eu sempre quis fazer", diz uma hospedeira de bordo da British Airways - que preferiu manter o anonimato. Como tantos outros milhares de funcionários, ficou em terra por causa da Covid-19.

"Ao princípio nós sabíamos da existência da situação, porque voávamos muito para Hong Kong e sabíamos que estava em vigor um bloqueio por lá. Mas não esperávamos que o problema fosse para o ocidente com tanta força como foi. Em março, percebemos que ia ser um grande problema mas nunca antecipámos como a companhia aérea ia reagir", explica.

Uma das decisões da empresa foi despedir até 12 mil trabalhadores, incluindo milhares de tripulantes de bordo. Embora tenha sido um tempo de turbulência para todas as companhias aéreas de todo o mundo, alguns funcionários da British Airways acreditam que a empresa está a usar a Covid-19 como desculpa para levar adiante um velho plano de despedimento dos mais velhos e experientes com o objectivo de dar lugar aos trabalhadores mais jovens e baratos.

A hospedeira de bordo continua, explica que "a proposta tem um grande impacto. É um corte de 60% a 70% nos nossos vencimentos contratuais. É um impacto muito maior para a tripulação mais antiga do que para a mais nova. Este plano tem estado a ser preparado há uns 10 anos. É uma coisa que querem fazer já há dez anos. De repente aparece esta pandemia e «booom» os contratos com salários baixos reaparecem.

No parlamento britânico, o presidente da Comissão dos Transportes criticou a atuação da British Airways.

“A British Airways quer tornar redundante quase um terço da sua força de trabalho e ao mesmo tempo faz propostas de alteração de contratos a metade dos seus empregados. Por outro lado, planeia investir mil milhões de libras numa companhia nova. As empresas não podem atuar assim e ao mesmo tempo apropriar-se do dinheiro dos contribuintes”, declarou Huw Merriman.

Num comunicado enviado à Euronews, a British Airways declarou estar a trabalhar para proteger o máximo de postos de trabalho e que ainda não decidiu o que vai ser cortado. Afirmou também que os sindicatos precisam estar mais empenhados nas negociações com a empresa, em especial os que representam o pessoal de bordo.

Com o futuro das viagens aéreas ainda no ar, os funcionários da British Airways enfrentam o futuro com ansiedade, sem saber se vão poder levantar voo novamente ou ficar em terra para sempre.