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"Um programa que não é um cheque em branco nem uma nova 'troika'"

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A ilusão de um aperto de mão ibérico que não passou de uma simulação bem disposta
A ilusão de um aperto de mão ibérico que não passou de uma simulação bem disposta   -   Direitos de autor  AP Photo/Armando França
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"A União Europeia não pode perder mais tempo" e tem aprovar rapidamente o programa de recuperação pós-covid de €750 mil milhões proposto pela comissão Europeia, concordaram, em Lisboa, os chefes de Governo de Portugal e Espanha, após uma reunião preparatória do Conselho Europeu de 17 e 18 deste mês.

Esta foi a primeira de três reuniões organizadas pelo governo português e antecedeu a deslocação a Lisboa já esta terça-feira também de Giuseppe Conte, o chefe de Governo de Itália, outro dos países mais interessados numa rápida aprovação do plano de retoma da comissão Von der Leyen.

No dia 13, António Costa desloca-se a Haia para uma reunião com o homólogo holandês, Mark Rutte, um dos maiores opositores ao programa de recuperação económico pós-covid proposta pela comissão europeia e que necessita de unanimidade entre os líderes para poder avançar rapidamente.

António Costa definiu como "inteligente, justa e equilibrada" a proposta de Ursula von der Leyen, também já com apoio da chanceler alemã Angela Merkel, e traçou o caminho que os parceiro europeus devem seguir.

Se queremos que um dos objetivos seja aumentar a resiliência da união europeu, devemos ter objetivos para a redução da pobreza e da dívia, e isso são objetivos que reforçam a resiliência do conjunto da união, aceleram a nossa transição climática e reforçam a nossa capacidade de recuperação económica.

Acho que, de uma forma muito razoável e de bom senso, isto é a forma de estabelecer um programa que não é nem um cheque em branco nem uma nova troika.
António Costa
Primeiro-ministro de Portugal

"Julho tem de ser o mês"!

Ao lado do chefe de governo de Portugal, o homólogo espanhol Pedro Sánchez salientou a urgência de uma decisão comum para relançar os "27" após os danos sem precedentes infligidos no bloco pela pandemia.

"Creio que o objetivo neste momento é a recuperação económica. É a recuperação da tendência de crescimento económico e da criação de emprego. É nesse sentido que é muito importante chegar a um acordo no mês de julho. Julho tem de ser o mês do acordo, do acordo europeu", sublinhou o presidente do governo espanhol, reconhecendo que chegar a um acordo "vai ser difícil" e acrescentando, em sintonia com António Costa, que este "não um momento para traçar linhas vermelhas".

O plano apresentado pela Comissão Europeia prevê um novo instrumento de apoio económico aos Estados-membros através de subvenções (€500 mil milhões) e empréstimos (€250 mil milhões) comunitários, sendo Itália e Espanha, enquanto parceiros mais atingidos pela pandemia até ao momento, os que ficarão com as maiores fatias, respetivamente €173 mil milhões e €140 mil milhões do total de €750 mil milhões preconizados.

Além da Holanda, Áustria, Dinamarca e Suécia estão também na oposição à proposta de subvenções, preferindo crédito para empréstimos temporário sem qualquer tipo de mutualização de dívida e com uma cláusula de explícita de termo a dois anos, especificaram os chamados "países frugais" em maio.

Na próxima semana, António Costa irá aferir a posição holandesa, e por conseguinte do quarteto de opositores à proposta de Ursula von der Leyen, e tentar encontrar uma ponte de entendimento que permita à União Europeia passar das palavras à ação nos planos de retoma pós-Covid.

Da reunião entre Costa e Sánchez desta segunda-feira, referência ainda para o apoio reiterado de Portugal à espanhola Nadia Calviño para a suceder a Mário Centeno na liderança do Eurogrupo e para a confirmação do primeiro-ministro português de uma cimeira ibérica a realizar no final de setembro ou no início de outubro para desenvolver a região raiana de ambos os países, descrita como a fronteira menos desenvolvida e mais despovoada da União Europeia.