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Histórias de crianças vítimas do massacre do Srebrenica

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Histórias de crianças vítimas do massacre do Srebrenica
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Dzenana Salihovic e Ahmo Mehmedovic escaparam de forma diferente ao genocídio cometido contra muçulmanos em Srebrenica, há exatamente 25 anos.

Ela era menina, ele nasceu depois. Ambos tiveram a infância marcada por um dos maiores crimes de guerra na história moderna da Europa e agora tentam lutar por uma melhor e mais tolerante Bósnia-Herzegovina.

O massacre terá começado a 11 de julho de 1995. As tropas bósnias sérvias terão cercado a cidade definida pouco tempo antes como "porto seguro" para os civis no conflito em curso na antiga Jugoslávia e separaram os homens das mulheres.

Durante mais de 10 dias terão deportado mulheres e crianças, sobretudo meninas, e conduzido os homens e os rapazes, com idades entre os 16 e os 60 anos, para locais ermos onde os executavam e enterravam em enormes valas comuns.

Os atos foram condenados pelo Tribunal Internacional de Justiça como genocídio, uma designação ainda hoje rejeitada pelos sérvios.

O general Ratko Mladic e Radovan Karadzic, o então presidente da autodenominada república de Srpska, ou Sérvia da Bósnia-Herzegovina, uma entidade rebelde perante a comunidade internacional, foram sentenciados a prisão perpétua.

Muitas mulheres bósnias muçulmanas foram vítimas de abusos por parte dos militares.

Quase todas, poupadas à morte. Foi o caso de Dzenana Salihovic, na altura ainda uma bebé.

"Nasci a 7 de junho de 1995. Era por isso, uma bebé com um mês de idade quando fui obrigada a deixar a minha casa com a minha família. Com a minha mãe e as minhas irmãs, fui forçada a mudar-me para Kladanj enquanto o meu tentava procurava refúgio em fuga pelos bosques. Infelizmente, ele não teve êxito", recordou Dzenana.

Os rapazes nascidos depois do massacre têm outras histórias para contar.

Ahmo Mehmedovic nasceu "em Gradac, no município de Lukavac, já durante o período exílio após a deportação das pessoas e o genocídio de Srebrenica.

"Nasci na cave de uma casa que tinha muita humidade e tenho uma história engraçada do meu nascimento. Quando nasci, não respirava. A minha mãe e a minha avó tentaram reanimar-me, aproximaram-me do fogão e depois comecei a respirar", contou-nos Ahmo, que acabou batizado com nome do avô, "morto no genocídio".

Dzenana e Ahmo foram duas das crianças vítimas colaterais do massacre de Srebrenica, ocorrido há já um quarto de século e ainda uma cicatriz dolorosa na história da Europa.

O presidente do Conselho Europeu, o belga Charles Michel, partilhou uma publicação no Twitter sobre o "25.° aniversário do genocídio de Srebrenica".

"Prestamos tributo a todas as vítimas, às famílias e àqueles que ainda não têm confirmação do destino dos seus entes queridos. Não descansaremos enquanto não se fizer justiça", escreveu o líder europeu, remetendo para um comunicado oficial onde conclui que "apenas quando aprendemos com o passado, podemos construir um melhor futuro para as próximas gerações."