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Protestos pela falta de apoio de Netanyahu na contenção da Covid-19

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Manifestantes de máscara e sem distanciamento social em protesto em Israel
Manifestantes de máscara e sem distanciamento social em protesto em Israel   -   Direitos de autor  Ariel Schalit/AP
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Milhares de pessoas concentraram-se no sábado na Praça Rabin, em Telavive, para protestar contra a forma como o governo de Israel está a gerir a Covid-19 e as consequências da epidemia nos trabalhadores independentes.

À imagem do sucedido na Europa, o governo hebraico impôs um apertado confinamento em meados de março para tentar conter a pandemia e a taxa de desemprego israelita, por exemplo, passou de 3,4 por cento por cento em fevereiro para mais de 23,5 por cento em maio, depois de já ter tocado os 27% em abril.

Os trabalhadores com contrato tiveram acesso a benefícios sociais para aguentar a suspensão da atividade, mas os trabalhadores independentes, como os artistas, sentem-se abandonados.

Algumas centenas de manifestantes terão tentando barricar algumas artérias da cidade e o protesto degenerou em alguns focos de confronto com as autoridades. Pelo menos 19 pessoas acabaram detidas.

O ministro adjunto da Saúde, Yoav Kisch, reagiu pelas redes sociais e reconheceu "a extensão da crise económica, o medo, a frustração, a luta pela vida e a imensa dificuldade", mas, para ele, a manifestação de Telavive foi "um ataque à saúde" dos israelitas.

"Estamos a fazer tudo para evitar ajuntamentos e estamos a pagar um preço muito alto (social e económico) para parar o vírus, mas depois vemos imagens como a da Praça Rabin. Um mega ataque à saúde", reforçou Yoav Kisch, também membro do Likud, de Benjamin Netanyahu.

Casos ativos ultrapassam os recuperados

Numa altura em que Israel parece sofrer um novo agravamento do quadro epidemiológico, tendo registado só na sexta-feira quase 1.500 novas infeções, a maior parte dos manifestantes em Telavive fez uso de máscara durante o ruidoso protesto.

O recomendado distanciamento de segurança de dois metros não foi respeitado, relatou um jornalista da France Press presente na manifestação.

Um dia após ter anunciado mais 1.148 novos casos, este domingo, as autoridades de saúde hebraicas acrescentaram mais 749 novas infeções e quatro mortes ao quadro da epidemia, aumentando o balanço total para 38.213 casos confirmados de covid-19 no país.

Com estes últimos números, o número de pessoas recuperadas (18.915) voltou a ser ultrapassado em Israel pelo número de casos ativos (18.940).

Entre os doentes hospitalizados em Israel, há agora 141 em estado grave, incluindo 48 dependentes de ventiladores. O número de fatalidades com Covid-19 é agora de 358 no país.

"Knesset" infetado

O Parlamento também terá sido "infetado" e vários eleitos, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, terão sido recomendados a permanecer em isolamento.

O Ministério da Saúde israelita anunciou este domingo ter pedido a pelo menos mais três deputados do "Knesset" para ficarem de quarentena depois de pelo menos outros dois terem sido diagnosticados com Covid-19.

Para tentar conter estes novos surtos no país, o governo hebraico decidiu reativar na sexta-feira algumas restrições a ajuntamentos e a certas atividades económicas em alguns bairros de cinco dos municípios mais afetados pelo agravamento dos contágios.

O protesto de um grupo ultra-ortodoxo em Jerusalém devido ao confinamento de certos bairros levou à detenção de pelo menos 10 pessoas após confrontos com a polícia, alvejada com pedras, ovos e outros objetos, denunciaram em comunicado as autoridades.