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Há segredos no deserto do Dubai para descobrir

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Há segredos no deserto do Dubai para descobrir
Direitos de autor  euronews   -   Credit: Dubai Tourism
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O Dubai é visto pelo mundo como uma cidade nova. No entanto, a história da cidade remonta a mais de cinco mil anos. Arqueólogos trouxeram à luz do dia uma série de locais descobertos por todos os Emirados, incluindo este antigo porto e centro comercial em Jumeirah, conhecido como A Cidade Branca.

Mansour Boraik, especialista em arqueologia, conta que “quando [os arqueólogos] viram a cidade pela primeira vez, repararam que as paredes dos edifícios em Jumeirah estavam rebocadas", um trabalho realizado "por dentro e por fora com gesso branco, que os levou a situar a cidade durante o período abássida e a pensar que se parecia com uma cidade branca da costa do Golfo”.

Nesse período, o edifício serviu como estalagem para comerciantes, "destinado às pessoas que vinham na rota comercial para a Mesopotâmia poderem descansar".

O sítio arqueológico de Jumeirah mostra o Dubai durante o período abássida, no século X d.C.. Atualmente a localização geográfica do espaço, na costa do Dubai, é de extrema importância, situado tanto na principal rota comercial entre a Mesopotâmia, Índia e Omã. como também entre as penínsulas árabe e a indiana.

Os cerca de 80 mil metros quadrados de ruínas arqueológicas, situadas à sombra do Burj Khalifa, fazem um jogo de contrastes entre o velho e o novo mundo do Dubai.

Pelas estruturas de apoio circulares e semicirculares da torre é possível avalia a prosperidade dos habitantes da época, uma mistura entre habitantes locais e comerciantes de passagem, que traziam variedade de moedas de prata, cerâmica, cobre, vidro e artefactos de pedra encontrados nas escavações.

Um dos maiores e mais importantes locais islâmicos jamais descobertos no Golfo é também o lar da mais antiga mesquita descoberta nos Emirados Árabes Unidos.

De acordo com o perito em arqueologia do município do Dubai, a infraestrutura era um dos pilares da cidade.

“As principais características de uma cidade islâmica deste período são o governante, a casa statin, a pousada, ou o _caravanserai ,_e depois dois espaços importantes; a mesquita e o mercado. A mesquita para a oração e o mercado para a troca de bens, a comercialização do que faziam aqui”, afirma.

Saruq al Hadid, o centro industrial da Idade do Ferro

Do outro lado da cidade, no deserto, Saruq al Hadid é considerada a joia da coroa dos descobrimentos arqueológicos no Dubai. Este antigo centro metalúrgico industrial data da Idade do Ferro e indica que o Dubai era um centro comercial global.

“Todos pensam que Dubai tem apenas 50, 60, ou 100 anos de idade. Mas quando analisamos as civilizações percebemos que o Dubai tem mais de sete mil anos. Há algumas infraestruturas que eram usadas para o comércio. Isso é importante. Até mesmo a mentalidade das pessoas aqui. Tiveram a mente aberta, ao darem oportunidade de qualquer pessoa fazer comércio aqui", afirma Ahmed Mahmoud, diretor do departamento de herança arquitetónica do município do Dubai.

Mais de 18 mil objetos em cobre, bronze e ferro foram encontrados no local. Hoje fazem parte do acervo do Museu Saruq Al Hadid na zona de Shindhaga. Um dos tesouros mais notáveis é este anel dourado que inspirou o logótipo da Expo 2020.

Túmulos de Hatta

Hatta está localizada a 115 quilómetros da cidade do Dubai. É um belo oásis rodeado de montanhas. Arqueólogos descobriram aqui alguns dos achados mais antigos da região - túmulos que datam do ano 3000 a.C..

No local, conta Mansour Boraik, há mais de 80 túmulos, alguns deles, restaurados. São chamados "colmeia", devido à estrutura que apresentam, pois, tal como o especialista descreve, têm "uma entrada pequena e estreita e uma cúpula, uma câmara funerária abobadada e quem morria era enterrado dentro dela em posição fetal". Em alguns dos túmulos foram encontrados restos de oferendas a acompanhar o corpo. "Conchas decoradas, missangas, alguns artefactos de bronze eram colocados com o falecido para estarem com ele no além".