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Morreu um dos homens responsável por crimes contra a Humanidade

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De  Nara Madeira  com AP, AFP
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Morreu um dos homens responsável por crimes contra a Humanidade
Direitos de autor  Heng Sinith/ASSOCIATED PRESS

Morreu Kaing Guek Eav, antigo carcereiro cambojano, o primeiro homem a ser condenado por um tribunal internacional, em 2010, pelas atrocidades cometidas pelos Khmer Vermelhos.

O antigo comandante da prisão de Tuol Sleng, conhecido por "camarada Duch", tinha sido transferido da prisão de Kandal - onde cumpria pena de prisão perpétua após ter sido condenado por crimes contra a humanidade - para um hospital do Camboja, devido a problemas respiratórios, será feita uma autópsia para determinar a causa da morte

O antigo professor de matemática, de 77 anos, foi chefe de um estabelecimento prisional ultrassecreto e foi responsável pela tortura e morte de mais de 15 mil prisioneiros, homens, mulheres e crianças considerados como inimigos do regime. Acabou por ser um dos poucos a assumir os atos cometidos, ainda que parcialmente, durante o julgamento.

*Das provas à condenação*

Foi o facto de "Duch" ter registado todos os prisioneiros que eram encarcerados, as torturas e execuções também, que permitiu julgar estes crimes. Milhares de documentos abandonados na prisão durante a fuga, em 1979, quando os Khmer Vermelhos foram forçados, pelos vietnamitas, a abandonar o poder, e que acabaram por ser prova das atrocidades cometidas pelo regime.

Cerca de 1,7 milhões de pessoas morreram às mãos dos Khmer Vermelhos, um grupo maoista liderados por Pol Pot que morreu em 1998, antes de ser julgado. Aliás, a maioria dos acusados acabou por falecer antes de enfrentar a Justiça.

O "camarada" andou desaparecido durante quase duas décadas. Acabou por ser descoberto por um fotógrafo irlandês, Nic Dunlop, em 1999. O encontro que o levaria à detenção.

Em julho de 2010 era condenado a 35 anos de prisão. A pena acabaria por transformar-se em prisão perpétua, em 2012.

*De cárcere a museu da memória*

Os registos, compilados por Kaing Guek Eav, fazem hoje parte do espólio de um museu, instalado na prisão onde foram cometidas as atrocidades. Fotografias de homens, mulheres e crianças - porque não podiam deixar-se descendentes que pudessem um dia ter sede de vingança - a maioria mortos durante este período negro da história do Camboja.