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Sem apoio ao Irão será difícil travar o narcotráfico para a Europa

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Sem apoio ao Irão será difícil travar o narcotráfico para a Europa
Direitos de autor  Vahid Salemi/AP
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O Irão sente-se sozinho no combate ao narcotráfico no leste da região arábica e, como principal ponte da droga sobretudo afegã para a Europa, pede apoio para manter a pressão sobre uma atividade criminosa penalizada na republica islâmica com a morte.

O apelo foi revelado pelo antigo chefe do Centro de Controlo de Drogas do Irão, Fadahossein Maleki, numa entrevista à Euronews, em Teerão.

País vizinho do Afeganistão, um dos maiores narcoprodutores do mundo, o Irão tem sido usado pelos traficantes como ponte no transporte da droga para o mercado europeu e, por isso, o país está na linha da frente do combate ao narcotráfico na região.

Estima-se haver no Irão três milhões de toxicodependentes frequentes e 1,6 milhões de ocasionais entre uma população de mais de 80 milhões de pessoas.

Em termos económicos, os toxicodependente no Irão representam, anualmente, €2,3 mil milhões em droga e contribuem para um rombo de €5,7 mil milhões na economia persa.

Nas últimas três décadas, de acordo com dados das Nações Unidas foram apreendidas no país 12 mil toneladas de drogas. Em julho, as autoridades iranianas reclamavam para o país o título de líder mundial na apreensão de narcóticos.

Só em 2018, de acordo com o relatório 2020 do Gabinete da ONU para a Droga e Crime, 91% das apreensões de ópio no mundo, 48% das de morfina e 26% das de heroína foram apreendidas pelo Irão, mas com um custo.

"Perdemos quatro mil homens até agora e mais de 12 mil ficaram mutilados. Será que as famílias europeias têm noção do que teria acontecido se não tivéssemos perdido tantas vidas?", questionou o também deputado iraniano Fadahossein Maleki, perante as críticas que têm surgido do "velho continente" à política persa de combate ao narcotráfico.

Presume-se que 30% das drogas produzidas no Afeganistão continuem a chegar à Europa através do Irão.

Os dois países, em conjuto também com o Paquistão, e outros países da região, desenvolveram um programa de cooperação no combate ao tráfico de droga.

O presidente Hasan Rouhani reiterou que a reimposição de sanções poderia enfraquecer o país no combate ao tráfico de drogas para a Europa.

Perguntámoa a Fadahossein Maleki se "estaria o Irão disposto a destrancar o tráfico de droga para a Europa se quisesse?"

"Se fosse necessário, sim, estaria", garantiu o deputado e antigo secretário do centro de controlo de drogas no Irão, lembrando, contudo, que "as leis islâmicas não o permitem". "Nem o nosso líder supremo o aprova", acrescentou.

"Mas se houver uma mudança nas políticas, isto vai acontecer. Não tenham dúvidas", avisou Fadahossein Maleki.

No Irão, o castigo para grandes delitos ligados a droga é a pena de morte, uma sentença muito criticada pelos países europeus. No entanto, os iranianos acreditam na utilidade da pena capital para diminuir ou mesmo acabar com o narcotráfico no país.

"Esperamos uma colaboração séria e apoio à república islâmica. Não queremos que nos ajudem financeiramente, mas não deviam criticar a forma de trabalhar do Irão nas declarações e resoluções que tomam", afrimou Ebrahim Raisi, o líder conservador do sistema judicial iraniano, que diz ter provas de que "os Estados unidos e alguns países europeus estão a apoiar traficantes de droga."

"Alguns países também estão a fazer dinheiro com a circulação e distribuição de narcóticos", afirmou Ebrahim Raisi, no início do mês, citado pelo Teheran Times.

O correspondente da Euronews em Teerão, Hamidreza Homayounifar, conclui que, "tendo em consideração a pressão global sobre o Irão devido às sanções dos Estados Unidos, a República Islâmica parece ter sido deixada sozinha no combate ao narcotráfico e é difícil saber neste momento quanto tempo conseguirá resistir nestas condições."