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Jornalistas e manifestantes alvo de violência policial

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Neusa e Silva
Neusa e Silva   -   Direitos de autor  Euronews
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Foram soltos os jornalistas detidos no sábado em Luanda, Angola, numa manifestação organizada por um grupo de jovens com o apoio do maior partido da oposição, a UNITA. A polícia fez mais de cem detidos na manifestação, que inicialmente tinha sido autorizada, mas foi depois ilegalizada devido às novas regras de combate à Covid-19. A libertação dos profissionais da imprensa foi confirmada à Euronews pelo Sindicato de Jornalistas de Angola.

Os detidos começaram a ser julgados na capital angolana, acusados de ofensas corporais e crimes de danos materiais e destruição de bens. Os advogados denunciam maus-tratos por parte da polícia.

Entretanto, uma outra tentativa de manifestação foi frustrada pela Polícia Nacional à porta do Palácio Dona Ana Joaquina, onde funciona o Tribunal de Luanda. Um jovem manifestante agredido pela polícia gritava "Eu te odeio, João Lourenço!", culpando o presidente de Angola.

Laurindo Sahana, advogado da associação "Mãos Livres", denuncia a violência policial contra os manifestantes que estão agora a ser julgados: "Há vários sinais de agressões, muitos têm as roupas ensanguentadas e mostram sinais de tortura, condenável a todos os níveis", disse aos repórteres. Entre os mais de 100 detidos estão jovens de movimentos cívicos, ativistas e outros manifestantes. Houve também seis jornalistas detidos, três dos quais libertados apenas agora e sem explicações.

Jornalista conta agressão

Osvaldo Silva, jornalista da agência AFP, confirma que ele e os colegas foram vítimas de agressão por parte da polícia: "Pediram-me para sair, empurraram-me, bateram-me, deitaram-me no chão, começaram a bater com cassetetes, ficaram-me com o telemóvel, queriam ficar com a câmara. Colocaram-me no carro da polícia, lá dentro estavam muitos policiais com escudos. Pediram-me para apagar as imagens. Tive de apagar as imagens", conta.

A marcha de sábado visava reivindicar melhores condições de vida, mais emprego e a realização das primeiras eleições autárquicas em Angola.

De acordo com o secretário de Estado do Ministério do Interior, Salvador Rodrigues, estão detidos 90 homens e 13 mulheres. Seis polícias ficaram feridos nos confrontos com manifestantes.

Na sexta-feira, o governo angolano fez sair novas medidas de combate e prevenção da Covid-19, num decreto sobre o Estado de Calamidade Pública, que entre várias restrições, proibiu ajuntamentos na rua de mais de cinco pessoas.