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As mortes que a Arménia não perdoa

Funeral de soldado de etnia arménia
Funeral de soldado de etnia arménia Direitos de autor Sergei Grits/Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Sergei Grits/Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved.
De  Euronews
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Entre a revolta após o cessar-fogo, Arménia conta mais de 2300 mortos no conflito face ao Azerbaijão.

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Mais de 2300 soldados mortos nas últimas seis semanas. É o balanço que a Arménia faz da mais recente vaga de confrontos com o Azerbaijão que, por seu lado, não apresenta números oficiais. O acordo de cessar-fogo não fecha a ferida aberta pelo conflito do Nagorno-Karabakh.

"Os funerais têm sido uns atrás dos outros", conta-nos um coveiro de um cemitério de Erevan.

Um deles foi o de Artak Yenoqyan, de apenas 20 anos. "Um jovem corajoso, determinado, forte e que cumpria sempre a sua palavra", diz-nos a mãe, Naira Balayan.

Naira afirma também "ser completamente contra a guerra" e ainda que "as coisas deviam ter sido revertidas logo no início". Considera que, afinal, os políticos "estudaram diplomacia para poderem gerir precisamente este tipo de situações".

O Ministério da Defesa arménio continua a receber pedidos de famílias que não sabem do paradeiro dos seus. Receia-se que o balanço de vítimas mortais possa ser muito maior.

À porta, um homem explicava-nos que não conseguiu obter informações, mas que ainda não perdeu a esperança.

Zaruhi Ayvazyan não tem notícias do filho há quase um mês. Conta-nos que ele "estava ao serviço há um ano e 4 meses, e devia ter voltado para casa em junho". Para Zaruhi, "se os oligarcas não tivessem roubado a Arménia durante os últimos 30 anos, se tivessem sido compradas armas e reforços para o país, os jovens não estariam a morrer".

O acordo entre os dois países prevê que Erevan entregue a Bacu as regiões de Kalbajar e Aghdam, uma decisão que está a provocar uma vaga de revolta entre os arménios. Muitos dos habitantes que estão ser obrigados a deslocar-se incendeiam as próprias casas para nada deixar para trás.

Naira Balayan salienta que, face a estas circunstâncias, a morte do filho lhe parece ainda mais sem sentido, porque afinal "ele morreu pela pátria".

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