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Pesetas contra a pobreza

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De  Ricardo Figueira  & Lucía Riera
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Pesetas contra a pobreza
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Em Espanha, quem tem menos de 20 anos não se lembra das pesetas, mas a verdade é que em milhões de lares estas moedas e notas continuam nas gavetas. Por nostalgia, preguiça ou colecionismo, muitos não as trocaram por euros.

Agora a organização "Peseta Solidária" decidiu dar-lhes novamente valor. Basta inscrever-se no site para doar este dinheiro. Os voluntários recolhem-no casa a casa, trocam-no em euros e doam ao Banco Alimentar.

Para a fundadora da ONG, Laura Blanco, é uma forma de dar "um fim nobre e generoso à peseta", o que permite a alguns espanhóis ajudar os outros neste tempo de necessidade.

"Apesar da crise, as pessoa querem ajudar as outras. Talvez não tenham euros, mas têm pesetas e é uma forma de ajudar. Encontrámos uma senhora, que vive em Getafe, que tinha uma coleção de notas que a irmã tinha deixado para os filhos e um senhor que ouviu a notícia, mas não tem Internet nem e-mail nem nada, que telefonou para o Banco Alimentar e disse: que tinha oito quilos de pesetas e queria doá-las", conta.

De acordo com os números oficiais, há ainda 1,6 mil milhões de euros em pesetas nas casas dos espanhóis. Por isso, o governo prolongou o prazo para a troca, que deveria expirar no final deste ano. Prolongou-o até Setembro de 2021, o que a 'Peseta Solidária' agradece, porque lhes dá mais tempo para desenvolver a iniciativa.

O objetivo é atingir 12 milhões de euros, uma ajuda muito necessária para o Banco Alimentar, que viu a procura crescer 40% este ano, devido à crise gerada pela pandemia da Covid-19. O perfil das pessoas que precisam de ajuda também mudou: "São pessoas que trabalham e estão na pobreza, o que é ainda pior, porque têm salários tão baixos que não conseguem pagar as contas. Várias vezes atendi o telefone a pessoas que me disseram que antes eram voluntárias no Banco Alimentar e que ajudavam. Agora telefonam porque precisam da ajuda. Há um problema adicional que vem da crise de 2008, pelo que não houve poupanças nas famílias", diz Mila Benito, diretora de marketing do Banco Alimentar.

Há pessoas que já foram voluntárias no Banco Alimentar e agora ligam porque precisam de ajuda.
Mila Benito
Diretora do Banco Alimentar espanhol

Mesmo antes da pandemia, havia 350.000 pessoas a viver na pobreza só em Madrid. Com esta nova crise, o Banco Alimentar teme que o pior chegue em janeiro.