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Ultrapassar obstáculos no transporte de vacinas contra a Covid-19

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Aeroporto de Frankfurt (Arquivo)
Aeroporto de Frankfurt (Arquivo)   -   Direitos de autor  Franka Bruns/AP2004
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A conclusão do desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19 fez nascer um raio de esperança, mas como fazer chegar ao mundo milhares de milhões de doses? A gestora de transporte aeroportuário de Frankfurt, a Fraport, trabalha neste problema desde março. Mas agora há uma condicionante. Durante o envio, a vacina da BioNTech e da Pfizer tem que estar conservada a uma temperatura de 70 a 80 graus celsius negativos.

Joachim von Winning, diretor-executivo da Comunidade de Carga Aérea de Frankfurt, refere que "para grandes quantidades, também verificamos os processos de carregamento dos contentores nos locais de produção. Depois são conduzidas em camiões com controlo de temperatura, a partir de onde são transferidas diretamente para o avião, de forma a tornar mínimos, os intervalos e o tempo de exposição dos contentores às influências ambientais.

A ideia é levar as doses até aos centros de vacinação, onde podem ser conservadas durante cinco dias. O aeroporto de Frankfurt é um ponto importante de envio, já que muitos produtores da vacina estão localizados na região. Mas há ainda um grande obstáculo. Por razões de segurança, não se pode carregar um avião todo com temperaturas tão negativas.

Jerica Pitts/AP
Infraestrutura de armazenamento da vacina contra a Covid-19 da Pfizer nos EUAJerica Pitts/AP

"Quando estamos ao nível dos 70 graus negativos, assumo que haverá voos mistos, porque não podemos carregar completamente o avião com contentores de gelo seco. Isto porque o gelo seco é dióxido carbono congelado, que é melhorado durante o voo, de forma a manter a temperatura. Ou seja, regressa ao estado gasoso o que faz com que a concentração de CO2 no avião aumente", explica Joachim von Winning.

Nem todos os países estão equipados para lidar com frete especial de temperaturas negativas extremas. Até ao momento, apenas 25 países têm as infraestruturas adequadas.

"Os fatores limitantes são de facto as capacidades de receção nos aeroportos dos países em desenvolvimento, em relação ao espaço refrigerado necessário. Nestes países, em particular, é necessário trabalhar em estreita colaboração com as autoridades. Alguns países são conhecidos por reter a entrada de produtos farmacêuticos durante muito, muito tempo e, desse modo, colocar em perigo a integridade dos produtos. Essa questão tem que ficar clarificada antes do envio para que a carga não fique retida na alfândega", diz.

Uma vez as vacinas e os procedimentos de transporte aprovados, o céu será o limite. A Fraport no Aeroporto de Frankfurt pode despachar por via aérea mais de dez milhões de doses todos os dias.