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2020: o ano que "levou ao tapete" os aviões e o turismo

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2020: o ano que "levou ao tapete" os aviões e o turismo
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O Natal e o fim do ano motivam uma época tradicionalmente para nos reunirmos em família e com quem mais gostamos para desfrutar e partilhar eventos passados, mas este ano muitos vão ter de ficar confinados em casa e sem grandes celebrações.

Par Trehorning, um reformado de 71 anos na Suécia, considera que "as pessoas estão muito relutantes em reunir a família, em particular os avós". "Receiam viajar com eles ou ao encontro deles, de jantarem com eles. Acho que muitas pessoas estão preocupadas se vale a pena arriscar ficar infetado”, admitiu este sueco.

Sem exagero, podemos dizer que a pandemia de Covid-19 virou do avesso as viagens e o setor do turismo. Estar em confinamento fez a maioria dos cidadãos europeus perceber a importância de viajar.

O diretor-executivo da Comissão de Viagens Europeias, da qual o presidente da administração é o português Luís Araújo, resumiu à Euronews que "o ano de 2020 não foi apenas disruptivo". "Foi também devastador para muitos empreendedores no setor do turismo e das viagens", considerou.

"Toda esta coisa que começou como um surto chinês, chegou à Europa, depois espalhou-se pelo resto do mundo e teve um enorme impacto numa indústria, que vinha não só trabalhar bem, mas a crescer com um grande sucesso, orientado pelas receitas e pelo lucro", destacou Eduardo Santander.

Na União Europeia, o turismo contribui com 10% do PIB e gera emprego para 26 milhões de pessoas através dos impactos direto, indireto e induzido na economia. Em particular, entre os jovens, as mulheres e os imigrantes.

A aviação civil partilha as dores provocadas pela pandemia no hábito de viajar. O setor está a sofrer a maior crise de sempre. A maioria dos aviões estão parados e alguns dos aeroportos mais movimentados ficaram subitamente silenciosos.

A Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) estima perdas de de €100 mil milhões este ano e o colapso das viagens aéreas ameaça a susbsistência de 46 milhões de pessoas.

“Refiro sempre esta dicotomia entre as autoridades de saúde e do turismo, ou, se preferirem, com as viagens a mobilidade e os transportes.

"Um dia que passe é um dia em que as autoridades de saúde ganharam. Puderam fazer mais pesquisa, as vacinas estão cada vez melhores, a população está a conseguir a imunidade de que precisa.

"Pelo contrário, um dia que passe para o negócio das viagens e do turismo, é mais um dia que perdemos.

"Há pessoas a ficar sem trabalho, há empresas a fechar. Algumas para sempre.
Eduardo Santander
Presidente da Comissão de Viagens Europeias

As companhias aéreas devastadas pela Covid-19 estão a preparar-se para papéis-chave nos programas de vacinação em larga escala e que lhes podem valer valiosos contratos e, mais importante, ajudar a própria recuperação e sobrevivência a levantar voo.