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"Novas variantes do coronavírus terão surgido em pessoas com o sistema imunológico comprometido"

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De  Neusa Silva
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Túlio Machado,  diretor do laboratório KRISP da Universidade de Medicina Nelson Mandela, África do Sul
Túlio Machado, diretor do laboratório KRISP da Universidade de Medicina Nelson Mandela, África do Sul   -   Direitos de autor  Euronews

Um estudo preliminar desenvolvido pelo laboratório KRISP da Universidade de Medicina Nelson Mandela localizado em Durban na África do Sul, sugere que as novas variantes do novo coronavírus terão surgido ao infetar pessoas com o sistema imunológico comprometido, criando assim uma mutação que dá ao vírus maior capacidade de propagação.

Os dados foram avançados pelo cientista Túlio Oliveira, diretor do referido laboratório, que também é responsável pela identificação da nova variante do novo coronavírus sul africana, que está a provocar uma subida acentuada de casos positivos de Covid-19 na sub-região da África austral.

Desde o início da pandemia que o laboratório KRISP, juntamente com outros quatro laboratórios do país vêm desenvolvendo junto do governo sul-africano um processo de análise do vírus em tempo real para identificar as cepas em circulação no país.

Foram sequenciados mais de quatro mil genomas completos do vírus. Em Novembro os médicos sul africanos alertaram o laboratório KRISP para o surgimento de um grande número de infeções na região denominada Nelson Mandela Day, o que fez com que o laboratório aumentasse a parte genómica das análises naquela região o que permitiu a identificação da nova variante sul-africana do novo coronavírus.

Mutação que deu origem às novas variantes do novo coronavírus

Em entrevista exclusiva à Euronewsm o cientista Túlio de Oliveiram responsável pela identificação da nova variante sul-africana do novo coronavírus, explicou que “estas variantes mais transmissíveis que surgiram tanto em Inglaterra como na África do Sul, ou são provenientes de indivíduos cujo sistema imunológico estava muito baixo, o que significa que quando o vírus os infesta, os seus corpos não têm o sistema imunológico suficientemente forte para matar o vírus, e ele começa a desenvolver mutações e depois a transferir para a população, que provavelmente são indivíduos com sistema imunológico comprometido, pacientes que estão em terapia de câncer por muito tempo e o sistema imunológico está baixo” afirmou o cientista.

Túlio Oliveira compartilhou esta descoberta com a comunidade científica mundial, e com as autoridades britânicas, o que permitiu ao Reino Unido e ao Brasil detetarem outras variantes diferentes, mas com características muito semelhantes.

De acordo com o cientista, as três variantes do novo coronavírus em circulação na África do Sul, Reino Unido e Brasil, são diferentes por terem tido origem em regiões diferentes, mas todas elas sofreram a mesma mutação. A primeira característica comum das três variantes, é que elas têm as mutações na posição 501Y.

Parte da comunidade científica denominou de 501 Y-VI referindo-se a variante em circulação em Inglaterra, 501Y-V2 referindo-se a da África do Sul e 501Y-V3 referindo-se a do Brasil.

“A do Brasil e a da África do Sul têm outra mutação muito importante que é na posição 4841 CA, de acordo com o cientista Túlio de Oliveira, poderá estar associada provavelmente a menos efeitos de anticorpos para matar esta variante dentro do corpo” explicou o cientista, acrescentando que provavelmente terá uma maior relação com a possibilidade de reinfeção, mas que ainda é cedo para se retirar uma opinião conclusiva, uma vez que estão a ser desenvolvidos ainda vários estudos sobre o assunto, afirmou Túlio Oliveira.

A classe científica constatou igualmente que a nova variante surgiu em lugares que tiveram uma taxa de infeção muito alta na primeira onda. Na África do Sul a nova variante apareceu numa região denominada Mandela Day, que foi a região mais afetada pela primeira onda, e em Inglaterra uma variante diferente mas com a mesma mutação apareceu em Londres que também foi das regiões mais afetadas na primeira onda.

Haverá algum tratamento ideal para o novo coronavírus?

De acordo com o cientista Túlio de oliveira, quase não existe um tratamento ideal para a Covid-19. O melhor tratamento segundo o cientista é a oxigenação do paciente para que a taxa de oxigénio não baixe no sangue.

Em África poucos países têm laboratórios com capacidade para sequenciar as estirpes em circulação. Moçambique por exemplo enviou na última semana 200 amostras para o laboratório KRISP na África do Sul, para tentar identificar possíveis novas variantes em circulação.

Angola conta com o instituto Nacional de investigação científica em saúde, que até ao momento não reportou o surgimento de novas variantes do novo coronavírus em circulação

O laboratório Krisp liderado pelo cientista Túlio Oliveira junta-se, e outro laboratório localizado na Nigéria juntam-se agora ao Centro Africano de Controle e Prevenção de doenças da União Africana para apoiar outros países do continente na identificação de novas estirpes possivelmente em circulação, e formação de técnicos.