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Baixas expetativas sobre resultados da visita de Borrell à Rússia

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Baixas expetativas sobre resultados da visita de Borrell à Rússia
Direitos de autor  JOHN THYS/AFP
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O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, vai reunir-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, na quinta-feira, em Moscovo, para debater o futuro das relações bilaterais.

A recente pena de prisão contra o opositor russo Alexei Navalny e a detenção de milhares de manifestantes foi criticada pela União Europeia, mas esta visita não deverá produzir grandes frutos a esse nível.

“Não creio que a influência da União Europeia ou quaisquer outros fatores externos, tais como a imposição de mais sanções, possa levar a mudanças na posição das autoridades russas. As expetativas dos parceiros ocidentais sobre a liderança russa são muito baixas. Independentemente do que a Rússia faça ou deixe de fazer, ninguém acredita que a relação coma União Europeia possa melhorar", disse Andrei Kortunov, consultor do governo russo no Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia, em entrevista à euronews.

A ida a Moscovo do alto representante da União Europeia para a Politica Externa, o que não acontece há quatro anos, também foi alvo de críticas por alguns países do bloco comunitário.

Ingenuidade ou negócios?

Obviamente que Josep Borrell tem de ser muito firme quando apresentar a posição da União Europeia sobre as violações do direito internacional levadas a cabo pela Rússia.
Urmas Paet
Eurodeputado, liberal, Estónia

Um diplomata disse à euronews que a viagem demonstra "ingenuidade" e pode fragilizar a União, ideia partilhada por um eurodeputado liberal estónio, Urmas Paet, que trabalha neste dossiê.

"A União Europeia e a Rússia podem tentar normalizar as relações, mas a bola está no campo das autoridades russas em termos de mudança de atitude. Além da prisão de Alexei Navalny e dos seus apoiantes, a Rússia continua a anexar a Crimeia, a alimentar a guerra no leste da Ucrânia e assim por diante. Obviamente que Josep Borrell tem de ser muito firme quando apresentar a posição da União Europeia sobre essas violações do direito internacional levadas a cabo pela Rússia", explicou Urmas Paet.

Os interesses económicos também serão alvo de análise, já que há que encontrar um equilíbrio nas interdependências ao nível energético e nas trocas comerciais.

"A União Europeia sofre impactos e a Rússia também, mas a Rússia pode ser mais prejudicada porque precisa do capital e da tecnologia ocidentais para ter mais sucesso. A China não lhe vai dar soluções, é a Europa que pode fazer investimentos. A União Europeia também pode beneficiar, enormemente, de negócios com a Rússia ao nível das matérias-primas e não só.Note que a vacina Sputnik V contra a Covid-19 foi classificada como muito eficaz. Esta é uma área em que podemos trabalhar juntos com benefícios para ambas as partes", disse Marc Franco, analista económico no Instituto Egmont.

Josep Borrell dará conta dos progressos na próxima reunião do conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 países da União, a 22 de fevereiro.