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Visita de Borrell à Rússia causa embaraço à UE

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Visita de Borrell à Rússia causa embaraço à UE
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O balanço é de mais embaraço do que de proveito para a União Europeia, no resultado da visita do chefe da diplomacia, Josep Borrell, a Moscovo, para se reunir com o homólogo russo, Sergei Lavrov.

O encontro decorreu no dia (quinta-feira) em que o líder da oposição russa, Alexei Navalny, foi condenado a voltar a uma cela prisional, mostrando como a pretensa pressão europeia não incomoda, minimamente, a Rússia.

"Podemos realmente ver que a União Europeia quer evitar um confronto com o governo de Moscovo. No início da conferência de imprensa, Sergei Lavrov disse que as duas partes concordaram que uma eventual deterioração das relações poderá ter consequências negativas imprevisíveis. E o governo de Moscovo sabe bem que a União Europeia não quer essa deterioração. Portanto, sente-se livre para fazer o que lhe apetecer em vários domínios", explicou Joanna Hosa, analista no Conselho Europeu de Relações Exteriores.

Borrell sem mandato claro

Josep Borrell fez a visita sem um mandato claro, uma vez que os Estados-membros da União Europeia estão divididos sobre a necessidade de aprovar mais sanções contra a Rússia, com o sinal de clara condenação do tratamento que é dado a Navalny.

Ma a eurodeputada liberal finlandesa Elsi Katainen defende o pragmatismo de Borrell: "Vejo esta visita como um retomar da discussão. Foi bom o facto de Borrell ter veiculado, claramente, a posição da União Europeia e condenado as recentes ações da Rússia. Isso é muito importante. Mas o diálogo deve permanecer aberto mesmo em situações difíceis", disse à euronews.

A liderança de Putin nunca cede sob pressão. Portanto, francamente, não espero nenhum impacto direto destas declarações europeias.
Andrei Kortunov
Consultor no Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia

A euronews também conversou com um analista russo, consultor do governo do presidente Putin, que avisa que nunca serão aceites interferências no caso Navalny.

"A liderança de Putin nunca cede sob pressão. Portanto, francamente, não espero nenhum impacto direto destas declarações europeias, sejam as de Josep Borrell, as da chanceler Merkel, as do presidente Macron ou as de outros líderes europeus. Não vejo como isso poderá ter impacto direto na situação de Navalny", afirmou Andrei Kortunov, consultor no Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia.

Para melhorar a relação bilateral há quem considere útil que a União Europeia mostre abertura para utilizar a vacina russa contra a Covid-19, denominada Sputink V.