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Calou-se a última rádio independente

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Budapeste, Hungria
Budapeste, Hungria   -   Direitos de autor  Euronews
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Calou-se, nas ondas hertzianas, uma das últimas vozes críticas do governo ultranacionalista de Viktor Orbán. A Klubrádió perdeu a licença, que detinha há dez anos, por motivos vários, apresentados pelo Autoridade de Comunicações local, entre eles o facto de não cumprir as quotas musicais, ou seja, de transmitir pouca música húngara.

Os motivos não são aceites pela administração. András Arató, presidente do grupo do qual faz parte esta rádio, explica que "há três outras estações que cometeram os mesmos, «pecados horríveis»" que eles "no mesmo período. Mesmo assim, conseguiram a renovação da licença com muita facilidade. Por isso, achamos que foi discriminação e o Conselho de Comunicação mentiu ao dizer que não tem o direito de prolongar o uso das frequências".

A Comissão Europeia mostrava-se preocupada pelo fim deste meio de comunicação independente e dizia estar em contacto com as autoridades húngaras "a fim de garantir que a Klubrádió possa continuar a operar legalmente".

O desafio agora é orientar os ouvintes para a Internet e manter os 120 postos de trabalho. Atualmente esta rádio sobrevive com a contribuição de alguns dos mais de 200.000 ouvintes que a sintonizam todos os dias.

Os funcionários da Klubrádió ainda esperam que haja um volte-face. Mihály Hardy, sub-editor de redação diz esperar que os "silenciem apenas por um curto período de tempo, na frequência analógica tradicional. Enquanto isso, os nossos ouvintes receberão, exatamente, o mesmo produto e qualidade através da Internet. E, claro, a batalha jurídica também continuará", acrescenta.

Já o Conselho dos Média da Hungria diz que a administração da rádio não recorreu da deliberação de um tribunal de validar a decisão da autoridade competente.

O Parlamento Europeu debaterá a liberdade de imprensa na Hungria e este caso numa sessão plenária em março.

O Conselho dos Média tinha já retirado a frequência à Klubrádió em 2011, que acabou por recuperá-la, novamente meses depois, após uma decisão judicial. Desde então, perdeu todas as frequências regionais ficando apenas com aquela que agora perdeu.