Última hora
This content is not available in your region

Brasil continua a correr atrás da tragédia da Covid-19

Access to the comments Comentários
De  Francisco Marques com Lusa
euronews_icons_loading
Forças de segurança fiscalizam o encerramento das praias no Rio de Janeiro
Forças de segurança fiscalizam o encerramento das praias no Rio de Janeiro   -   Direitos de autor  AP Photo/Bruna Prado
Tamanho do texto Aa Aa

O Brasil continua a correr atrás da tragédia provocada pela covid-19, cada vez mais mortal entre os mais jovens e quase a esgotar os hospitais do Rio de Janeiro, onde este fim de semana as praias foram encerradas para tentar conter a propagação do SARS-CoV-2 entre a população carioca.

Sem encontrar forma de travar o avanço da epidemia, o Ministério da Saúde brasileiro anunciou este sábado o registo de mais 79.069 infeções e 2.438 mortes no quadro da Covid-19.

No balanço alternativo realizado por um consórcio de órgãos da imprensa brasileira (G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL), com base nos dados das secretarias estaduais de Saúde, foram anunciados mais 72 mil casos e 2.331 mortes.

O portal G1 descreveu este como o pior sábado da epidemia de Covid-19 no Brasil e sublinhou ainda um novo recorde da média móvel de mortes no país, no período de sete dias, agora fixado nos 2.234 óbitos.

Comparando com a média de há 14 dias, o portal realça o agravamento de 49%, que reflete igualmente o progresso deste coronavírus no segundo país mais "infetado" do mundo.

Num outro sinal alarmante, o jornal Folha noticia este domingo um aumento de 20% para 28%, desde o início deste ano, nos óbitos em São Paulo de pessoas menores de 60 anos.

Entre os maiores de 60 anos de São Paulo, as mortes aumentaram 94% desde a janeiro, mas entre os paulistas com idades entre os 40 e os 60 anos, o jornal Folha diz ter havido um agravamento de 252% e de 172% se se isolar apenas os que têm entre 50 e 60 anos.

O menor agravamento ocorreu entre as pessoas com mais de 90 anos de idade, o que o jornal diz poder estar relacionado com o plano de vacinação em curso em São Paulo.

As estimativas do Folha baseiam-se num levantamento do número de mortes em períodos de 12 dias no quadro da Covid-19, desde 21 de dezembro até 19 de março, com base nos dados do SEADE, o Portal de Estatísticas do estado de São Paulo,

No estado do Rio de Janeiro, onde já morreram mais de 35 mil pessoas e a incidência de contágios é de 3586,6 doentes por 100 mil habitantes, o município carioca decidiu encerrar as praias pelo menos até segunda-feira.

As novas restrições deixaram as praias do Rio desertas. Com as temperaturas a rondar os 30 graus centígrados e o sol a brilhar, houve quem arriscasse estender a toalha num dos areais fluminenses ou dar um mergulho no mar, mas as forças de segurança estão mobilizadas para fiscalizar e fazer respeitar a proibição.

Nem o comércio junto às praias nem sequer o estacionamento próximo dos areais são permitidos.

"No primeiro dia de operação [sábado, 20 de março], foram multados 429 veículos na orla entre as 00h e as 07h (hora local)", informou a secretaria municipal de Ordem Pública (SEOP), citada pela Agência Brasil, acrescentando ter sido ainda rebocadas 124 viaturas no período de 24 horas entre as sete da manhã de sexta-feira e as sete da manhã de sábado.

"Quando você vem à praia, você vê que as pessoas estão longe uma da outra na praia. Agora, o transporte público do trabalhador que tem de sustentar a família parece uma lata de sardinhas. Todos apertados, todos respirando, um em cima do outro, 'jogando' coronavírus", critica Jorge Zing, um agente imobiliário agora privado de descontrair nas praias cariocas.

O secretário de Saúde municipal do Rio de Janeiro justifica as medidas afirmando ser "o momento de reduzir a circulação de pessoas na rua". "Não é momento de praticar desportos na praia nem de tomart banho de mar. Agora é o momento de ficar em casa", sublinhou o médico Daniel Soranz.

O objetivo das autoridades é aliviar a pressão sobre os hospitais. Só no Rio de Janeiro a ocupação de camas nos cuidados intensivos por doentes Covid ronda atualmente os 95%, noticia a Agência Brasil.

A gravidade da situação terá levado a um aumento de 79 para 84% na intenção dos brasileiros em serem vacinados, avança o Folha, citando uma nova sondagem da Datafolha, o reconhecido instituto privado de pesquisa que pertence ao mesmo grupo do jornal paulista.

"Astronautas" no rio de Janeiro

Há, no entanto, quem ainda revele algum sentido de humor na forma como convive com a atual tragédia em curso no Brasil.

O contabilista Tércio Galdino e a mulher Alicea voltaram a vestir este fim de semana os fatos de astronauta, que já os tinha tornado notícia por todo o mundo em julho do ano passado, e foram uma vez mais passear este sábado pelo litoral do Rio de Janeiro apesar da proibição.

AP Photo/Bruna Prado
O casal Tércio e Alicea, vestidos de astronautas, a passear este sábado junto à praia de IpanemaAP Photo/Bruna Prado

O objetivo assumido pelo casal é o de alertar os conterrâneos brasileiros para a importância de se protegerem e protegerem os demais da Covid-19. Tércio é sexagenário, sofre de uma doença pulmonar crónica e faz parte dos grupos de risco.

Os fatos de astronauta foram costurados pelos próprios em casa e a inspiração, revelada já no ano passado, partiu de um médico que se vestia de dinossauro para se poder encontrar com o filho após mais de um mês a trabalhar na linha da frente do combate a este coronavírus.

Outras fontes • Agência Brasil, Folha, G1