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Vacinação na UE atrasada e com muitas assimetrias

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Vacinação na UE atrasada e com muitas assimetrias
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A União Europeia continua sob fogo de críticas pela baixa taxa de vacinação, com notáveis assimetrias entre alguns Estados-membros. A Comissão Europeia atribui às farmacêuticas a maior parte da responsabilidade pelos atrasos.

Contudo, o facto da saúde ser uma competência de soberania nacional continua a minar o esforço de coordenação, admite o eurodeputado de centro-direita e médico alemão Peter Liese: “As coisas deveriam estar a funcionar melhor e deverão funcionar melhor numa próxima pandemia".

"O primeiro facto a realçar é que a União Europeia não investiu suficientemente na capacidade de produção de vacinas. O Partido Popular Europeu defendeu, em março do ano passado, que se criasse uma nova agência europeia de investigação biomédica que possa investir muito dinheiro", acrescentou Liese, em entrevista à euronews.

Além do atraso geral, as assimetrias também causam polémica:

  • Malta já vacinou 30% da população com a primeira dose
  • A Dinamarcar está perto de 20%
  • Na Bulgária e na Letónia a percentagem ronda os 7%

Faz sentido exportar para todo o mundo?

Ao contrário de outras grandes potências, tais como os EUA e o Reino Unido, que não são muito solidárias com os países vizinhos, a União Europeia continua a exportar as vacinas que produz para todo o mundo.

A União Europeia subestimou um pouco o facto de outros países não serem de todo cooperantes. Os Estados Unidos, já sob a liderança do presidente Biden, quase não exportam vacinas.
Peter Liese
Médico e eurodeputado, centro-direita, Alemanha

“Há países que olham primeiro para as necessidades dos seus cidadãos e só depois para a a escala global. Embora continue a pensar que se deve ajudar a vacinar o resto do mundo, a União Europeia subestimou um pouco o facto de outros países não serem de todo cooperantes. Os Estados Unidos, já sob a liderança do presidente Biden, quase não exportam vacinas. A União Europeia continua a abastecer o Canadá e o México", explicou o eurodeputado alemão.

No entanto, os governos dos Estados-membros da União Europeia também fizeram opções com base no preço, ou na técnica usada para fazer as vacinas, que levaram a situações mais complicadas.

A Áustria e a Bulgária, por exemplo, apostaram menos na vacina da Pfizer-BioNTech, dando forte prioridade à vacina da AstraZeneca. Esta empresa anglo-sueca é a que menos tem honrado as promessas contratuais com países da União Europeia, dando preferência ao Reino Unido, com o qual celebrou um contrato mais rígido.

“Retrospetivamente, isso pode parecer ingénuo ou, até mesmo, insensato. Mas penso que será visto de outra forma dentro de quatro meses, quando a União Europeia alcançar o nível do Reino Unido, tendo vacinado quase toda a população, sem ter deixado de enviar centenas de milhões de vacinas para outras partes do mundo, que também precisam de acesso urgente às vacinas. Talvez aí se possa fazer uma avaliação mais completa sobre se a decisão foi ou não sábia”, considerou Joshua Livestro, comentador político nos Países Baixos, em entrevista à euronews.

A Comissão Europeia nunca pôs em causa a meta de vacinar 70% dos adultos até o final do verão, dizendo que está a criar acordos novos e a convidar outras empresas para se juntarem ao esforço de produção.