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"O fim de uma dinastia" em Cuba

De  Euronews com AFP
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Raúl Castro
Raúl Castro   -   Direitos de autor  Ariel Ley Royero/AP
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"O Partido é a alma da revolução" - o mote do congresso comunista cubano não antecipa a mudança que se concretiza nos próximos dias. Miguel Díaz-Canel, o presidente de Cuba desde 2018, deve voltar a receber o testemunho das mãos de Raúl Castro e subir à liderança do partido comunista.

"Sonhar e continuar um país: hoje começa o nosso 8º Congresso do PCC," tweetou o Chefe de Estado acrescentando considerar este como "o congresso da continuidade" e sublinhando que as directrizes do poder em Cuba, um dos últimos cinco países comunistas do mundo, não vão mudar.

Após a morte de Fidel em 2016, porém, a reforma de Raúl, 89 anos, vira uma página histórica para a ilha e o seu povo, onde a maioria não conheceu outra família no poder.

Várias centenas de delegados do único partido reconhecido em Cuba, vindos de todas as províncias, reúnem-se em Havana, no Palácio das Convenções, para debater as principais questões do país.

O encontro, de portas fechadas, inicia-se 60 anos depois de Fidel Castro ter proclamado a "revolução socialista".

Díaz-Canel deverá ser nomeado como o novo primeiro secretário, a posição mais importante em Cuba, no último dia, segunda-feira.

Nas ruas de Havana, desertas pelos turistas por causa da pandemia, os cubanos parecem sobretudo preocupados com a escassez de alimentos, as filas de espera nas lojas e a inflação em espiral causada pela recente unificação das duas moedas locais.

Tecnologia evidenciou diferenças

Para Norman McKay, analista da The Economist Intelligence Unit, "a partida de (Raul) Castro é um acontecimento marcante, não só porque marca o fim de uma dinastia que durou mais de 50 anos, mas também porque vem numa época de grandes dificuldades e perturbações económicas".

Ariel Ley Royero/AP
Raúl Castro chegou acompanhado de Miguel Díaz-CanelAriel Ley Royero/AP

"Isto não significa necessariamente que haverá uma mudança brutal no estilo do Partido Comunista", mas "a Internet deve facilitar as exigências de transparência e liberdades, dando origem a desafios para o governo que o Partido Comunista terá dificuldade em ignorar".

Nos últimos meses, Cuba viveu uma agitação social sem precedentes, impulsionada pela recente chegada da Internet móvel, com manifestações de artistas, protestos de dissidentes e mobilizações de outros sectores da sociedade civil, tais como activistas dos direitos dos animais.

Para o analista político Harold Cardenas, "há um grande sentimento de cansaço na sociedade cubana", "que é uma mistura (dos efeitos) da política de máxima pressão da administração Trump sobre Cuba e da falta de confiança nos projectos e promessas da liderança cubana".

É disto que "a oposição política está a tentar capitalizar".

As sanções de Donald Trump incluíram o desaparecimento em 2019 de navios de cruzeiro cheios de turistas americanos, e depois em 2020 de agências da União Ocidental onde os cubanos receberam dinheiro de familiares no estrangeiro.

Mas os residentes também suspiravam pela proliferação de lojas de dólares, uma moeda a que muitos deles não têm acesso.

Já presidente desde 2018, Miguel Diaz-Canel será o primeiro civil a liderar também o partido, no qual tem passado toda a sua carreira.