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Superliga Europeia: maioria dos fundadores deixa cair o projeto

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De  Francisco Marques
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Revolta dos adeptos leva clubes ingleses a abandonar projeto elitista
Revolta dos adeptos leva clubes ingleses a abandonar projeto elitista   -   Direitos de autor  AP Photo/Frank Augstein, Pool
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A revolta dos adeptos e a pressão do Governo levou os seis clubes ingleses, os dois milaneses e o Atlético de Madrid, fundadores da Superliga europeia, a abandonar o projeto elitista, lançado no domingo à noite juntando 12 dos emblemas mais ricos da Europa.

A deserção coloca em risco o futuro do projeto liderado pelo Real Madrid, no qual ainda resistem também o Barcelona e a Juventus.

O clube de Cristiano Ronaldo admite no entanto não haver condições para avançar com o projeto nos moldes anunciados.

Chelsea e Manchester City primeiro; Liverpool e Arsenal, depois; e Manchester United e Tottenham, por fim, anunciaram a deserção e colocaram em causa a viabilidade do torneio elitista pensado para 15 clubes fixos mais cinco convidados a cada época, mas agora reduzido a dois clubes espanhóis e um italiano.

Em Inglaterra, onde se fizeram sentir os maiores protestos contra a anunciada Superliga europeia, a festa dos adeptos antecedeu o empate (0-0) caseiro diante do Brighton. O treinador assumiu que todo o ruído extra competição afetou a equipa.

"A situação não foi clara. Fui informado como vocês e não foi assim tão difícil nem estranho porque não se tem falado de outra coisa", afirmou o alemão Thomas Tuchel, admitindo depois ter-se sentido "afetado tal como os jogadores terão sido afetados": tentámos criar uma atmosfera para vencermos o jogo, mas não foi possível."

No Manchester City, Pep Guardiola, um confesso opositor da Superliga Europeia, não deixou passar a oportunidade de também se fazer ouvir nas críticas aos atuais reguladores do futebol e aproveitou para pedir diálogo em prol da qualidade do futebol.

"Quantas vezes dissemos que nos devíamos sentar com a UEFA e com as Ligas. Não só a inglesa, mas a espanhola, a alemã, com todas, e com a FIFA também para organizarmos o calendário. Há quanto tempo dizemos isto? Há séculos. (...) Claro que o futebol está a piorar, mas quem se preocupa? É um negócio, é dinheiro", resumiu o treinador espanhol dos "citizens", atuais líderes da liga inglesa e semifinalistas da Liga dos Campeões.

De recordar que a FIFA decidiu alargar o Mundial de seleções para 48 equipas, a partir de 2026, e a UEFA acabou de anunciar também um alargamento da Liga dos Campeões para 36 clubes a partir da época 2024/25 e uma reformulação do formato, com os vários grupos a dar lugar a uma única liga, com um aumento de quatro jogos para cada participante para um máximo de 10 contra outros tantos adversários, metade em casa, metade fora.

Reformulação da Superliga europeia

A Superliga Europeia está agora reduzida aos grandes rivais espanhóis, Real Madrid e Barcelona, e à Juventus, de Itália. Atlético de Madrid, Inter de Milão e, por último, o AC Milan desertaram esta quarta-feira, para satisfação da UEFA, disponível para trabalhar num novo modelo que satisfaça a maioria.

Com a saída dos ingleses, os organizadores, liderados pelo Presidente do Real Madrid, emitiram um novo comunicado às primeiras horas desta quarta-feira, antes da oficialização da saída de mais três fundadores, a reiterar que "o 'status quo' do futebol europeu deve mudar" e a admitir uma reformulação do projeto elitista.

Apesar da anunciada saída dos clubes ingleses, obrigados a tomar essas decisões devido à pressão exercida sobre eles, estamos convencidos de que nossa proposta está em total conformidade com as leis e regulamentos europeus, como foi demonstrado hoje (terça-feira) por uma decisão judicial a proteger a Superliga das ações de terceiros.

"À luz das atuais circunstâncias, iremos avaliar os passos mais adequados para reformular o projeto, tendo sempre em mente os nossos objetivos de oferecer aos adeptos a melhor experiência possível, potenciando os contributos solidários para toda a comunidade futebolística.
Fundadores da Superliga Europeia
Comunicado

Na segunda-feira à noite, o presidente do Real Madrid e do grupo fundador da Superliga Europeia, Florentino Pérez, esteve no programa televisivo espanhol "El Chiringuito" a explicar o projeto e garantiu estar "em jogo a salvação do futebol".

Esta terça-feira, o líder do Real Madrid explicou ao jornal francês "L'Equipe" o torneio privado que pretende organizar e mostrou-se tranquilo perante a já então anunciada saída dos clubes ingleses do grupo fundador.

"A situação é tão grave que todos estão de acordo em levar adiante este projeto e procurar uma solução. Ninguém foi pressionado", garantiu Florentino Pérez, convencido que os franceses do Paris Saint-Germain e os alemães do Bayern Munique, ambos já com manifesta oposição à Superliga externa à UEFA, ainda se venham a juntar aos fundadores, embora tenha garantido não ter conversado ainda com os emblemas mais ricos de França e Alemanha, respetivamente.

"Estamos dispostos a falar com todos para salvar o futebol", reiterou o presidente do clube mais vezes vencedor (13) da Liga/Taça dos Campeões.

À margem de um congresso da UEFA, em Montreaux, na Suíça, o presidente da Liga espanhola disse que "florentina não tem nem ideia" da realidade.

"O futebol espanhol, salvo alguma coisa pontual, está em condições para sair desta crise em que caímos. E outros países também. É evidente que não é uma situação ideal, mas estamos bem. Não é verdade que em 2024 o futebol esteja morto, nada disso", garantiu Javier Tebas, concluindo: "O Florentino leva anos a pensar na Superliga e agora viu na Covid a desculpa para avançar, mas não é verdade."

Também Dejan Savicevic, antiga estrela do AC Milan e atual presidente da federação de Montenegro, aproveitou os microfones à porta do congresso da UEFA para criticar os "tubarões" da Superliga Europeia.

"Porque é que pagaram por jogadores 50, 60 ou 100 milhões de euros? Para quê? Agora querem fazer isto? Todo o dinheiro para eles. Eles não o fizeram pelo bem do futebol. Fizeram-no para resolver as dívidas", acusou o antigo número "10".

Do anúncio da Superliga Europeia à deserção da maioria dos fundadores, nem três dias passaram até o projeto ruir. Restam três clubes e a resistência sobretudo do presidente do Real Madrid.

A Juventus emitiu um comunicado esta quarta-feira à tarde, confirmando manter-se "convicta da validade dos pressupostos desportivos, comerciais e jurídicos do projeto", mas admitindo que "atualmente este tem possibilidades limitadas de ser concluído na forma em que foi inicialmente concebido".

Falta conhecer as posições de Real Madrid e Barcelona após as deserções anunciadas.