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Índia "sufocada" em recordes de mortes e infeções de SARS-CoV-2

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De  Francisco Marques
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Um "doente covid" aguarda dentro de um veículo a admissão num hospital de Ahmedabad, Índia
Um "doente covid" aguarda dentro de um veículo a admissão num hospital de Ahmedabad, Índia   -   Direitos de autor  AP Photo/Ajit Solanki

A Índia agoniza na maior tragédia do século XXI: a pandemia de Covid-19. Esta segunda-feira, registou novos recordes diários de mortes, 2.812, e de infeções diagnosticadas, 352.991, culminando um período agravado pela forte escassez de oxigénio no combate à infeção.

Foi o quinto dia consecutivo do segundo país mais afetado pela pandemia a registar mais de 300 mil infeções diárias, elevando o total de casos para mais de 17,3 milhões, incluindo agora 195.123 óbitos no quadro do SARS-CoV-19.

Comparando com os outros dois países mais afetados pelo SARS-CoV-2, só os Estados Unidos está pior, com mais de 32 milhões de casos, incluindo 572 mil mortes.

O Brasil surge em terceiro, com 14,3 milhões de infeções confirmadas e o segundo balanço mais alto de mortos do mundo: quase 391 mil.

Muitas das pessoas que perderam a vida na Índia nestes últimos dias na Índia foram vítimas da falta de oxigénio, neste momento, certamente o bem mais precioso na Índia.

O ministro-chefe de Deli, a segunda maior cidade e uma das mais importantes do país, com mais de 20 milhões de habitantes, esteve já esta manhã no hospital Radha Saomi, onde meio milhar de camas equipadas com oxigénio foram colocadas ao serviço e pelo menos 200 unidades de cuidados intensivos estão também planeadas começar a funcionar.

Arvind Kejriwal anunciou ainda, sem surpresa, o prolongamento por mais uma semana do recolher obrigatório imposto em Deli na passada segunda-feira.

Há uma grave escassez de oxigénio em Deli. São necessárias 700 toneladas diárias, mas apenas nos foram atribuídas 480 toneladas pelo governo central.

"Ontem (sábado), apenas recebemos 10 toneladas.
Arvind Kejriwal
Ministro-chefe de Déli

Há muitas pessoas a armazenar em casa oxigénio e medicamentos vitais no combate à covid-19, o que está a provocar o pânico e a deixar os hospitais ainda mais à mingua, alertou o Ministério indiano da Saúde e da Segurança Social.

A presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, mostrou-se "alarmada pela situação epidemiológica na Índia" e garantiu que os "7" estão "prontos para ajudar".

A alemã Ursula von der Leyen expressou-se numa publicação em que repartilhou o anúncio do Comissário Europeu da Gestão de Crises da ativação "do Mecanismo de Proteção civil da União Europeia, a pedido da Índia".

"A União Europeia vai fazer todos os possíveis para mobilizar assistência para dar apoio ao povo indiano. O nosso Centro de Coordenação da Resposta a Emergências já está a coordenar os Estados-membros que estão prontos a disponibilizar rapidamente o oxigénio e os medicamentos necessários com urgência", escreveu Janez Lenarčič.

A Alemanha já disponibilizou geradores de oxigénio móveis e a França também já prometeu ajudar os indianos.

De fora da União europeia, o Reino Unido também já está a ajudar a antiga colónia com equipamento médico.

Os Estados Unidos e Singapura enviaram aviões para a Índia carregados de oxigénio e de diverso equipamento médico. Também os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, aliados do Governo indiano, aderiram ao esforço internacional de ajuda de emergência à Índia, onde já circula inclusive um comboio conhecido como o “Expresso Oxigénio”.

Uma das causas desta última vaga de Covid-19 na Índia, e até ver a mais grave de todas, poderá ser uma nova variante local do SARS-CoV-2, batizada para já como B.1.617, que está identificada no país desde outubro e que já tem registos de incidência em diversos países europeus como a Grécia, a Bélgica a Suíça ou o Reino Unido.

Esta variante indiana é qualificada como um "mutante duplo", por incluir duas mutações do SARS-CoV-2: a E484Q, similar à que já tinha sido observada nas variantes detetadas na África do Sul e no Brasil, com suspeita de reduzir a eficácia da vacinação e aumentar o risco de reinfeção; e a L452R, também identificada numa variante americana da Califórnia, suspeita de aumentar a transmissibilidade.

A B.1.617 foi detetada em 220 de 361 amostras de análises positivas de Covid-19 recolhidas entre janeiro e março no estado indiano de Maharashtra.

De acordo com a organização Iniciativa GISAID, reconhecida pela monitorização epidemiológica na Comissão Europeia, esta variante indiana já foi detetada em 18 países ou territórios por todo o mundo, incluindo Alemanha, Bélgica, Itália, Irlanda e Países Baixos, na União Europeia; Reino unido e Suíça, nos países vizinhos do "bloco" europeu.

A Itália juntou-se entretanto ao rol de países que proibiram a entrada no país a quem tenha estado na Índia nos 14 dias anteriores.

Outras fontes • ANI